Centro Cultural São Paulo, onde é possível dançar e aprender conforme a música
Considerado um dos principais espaços culturais gratuitos da cidade de São Paulo, o Centro Cultural São Paulo (CCSP) é endereço certo de quem curte música. Todos os dias, amantes dos mais diversos estilos ocupam o espaço, que oferece uma infraestrutura perfeita para coreografias de samba, hip hop, k-pop e outros estilos no chamado "Corredor da Dança". Além dos movimentos dos passos e dos diferentes gêneros musicais, o CCSP, que é mantido pela Prefeitura, permite que o público conheça a sonoridade das vitrolas e discos de vinil que estão disponíveis em uma instalação para audição gratuita no local.
Nesse espaço democrático que une, entre outras atividades, dança e muita música, os frequentadores elogiam a estrutura do equipamento público. Um deles é o professor e dançarino de samba Victor Alonso, de 38 anos, que frequenta o CCSP desde 2016 e diz que o local é um motor cultural dentro da cidade. “Eu acredito que o Centro Cultural nos traz liberdade. A gente costuma falar que aqui não é só o Corredor da Dança, é o Centro Cultural da Dança”, elogia.
Vitor também ressalta outras qualidades, como a localização estratégica, ao lado da estação Vergueiro do metrô. “É fácil chegar, você tem segurança, banheiros e internet grátis. Aqui você encontra diversos ritmos, porém todo mundo se respeita e o que prevalece para a gente, de fato, é a cultura", afirmou o morador da Vila Aricanduva, na Zona Leste.
Essa autonomia e o respeito entre diferentes linguagens artísticas destacadas por Victor preservam o equipamento como ponto de encontro fixo para quem gosta e vive da dança, atraindo tanto os moradores de São Paulo como pessoas de outras cidades.
É o caso de Lucas Henrique da Silva Teixeira, de 26 anos, operador de telemarketing e frequentador assíduo do espaço, que conheceu há 6 anos, por indicação de um amigo. Desde então, o utiliza para praticar danças urbanas. Morador de Jandira, na Região Metropolitana, Lucas, sempre que é possível, se desloca para a capital para ensaiar no CCSP.
“Qualquer coisa que você for dançar, seja Hip Hop, K-pop ou Vogue, se sentirá acolhido. A infraestrutura é impecável. É importante ter esse espaço gratuito, porque, às vezes, eu não tenho dinheiro para pagar um lugar para dançar. Aqui eu sei que vou ter paz no que vou fazer. É um lugar de fomento à dança, é aberto, você pode treinar à vontade e conversar com a galera”, contou Lucas.
O ciclo de pertencimento, que começou com um convite no passado, agora se repete, já que foi Lucas quem apresentou o polo cultural ao amigo Abraão Henrique Santana, de 29 anos. Morador de São Vicente, no litoral, ele também passou a ensaiar no local. “Gostei bastante do espaço. É um lugar coberto, tem esses vidros que dão uma sensação de espelho, dá pra ensaiar tranquilo, porque aqui a gente se sente seguro, é um ambiente limpo e organizado”, comentou o dançarino.
Essa movimentação nos corredores acontece de maneira totalmente orgânica e espontânea por iniciativa dos próprios frequentadores, que encontram no local a liberdade para ensaiar, trocar experiências e fortalecer a cena da dança na capital.
Volta ao passado e novas descobertas
Se nos corredores o ritmo dita o movimento do corpo, em outras áreas do CCSP o público pode desacelerar e contemplar o som por meio de 526 discos de vinil e outros 3 mil títulos digitalizados. Os discos estão à disposição em duas paradas sonoras (estações) e divididos entre música popular brasileira, pop internacional, trilhas sonoras e música erudita. A instalação Oneyda Alvarenga, que abriga o acervo sonoro, pode ser visitada de terça a domingo, das 10h às 18h.
Em plena era digital, a experiência analógica atrai muitas pessoas, explica o bibliotecário Aloysio Lazzarini de Almeida Nogueira, de 65 anos, que cuida do local e ensina, com toda paciência, principalmente para os mais jovens que nunca tiveram acesso, como utilizar o equipamento.
É o caso da estudante Ana Júlia Rosa Coelho, de 16 anos, moradora de Santana, Zona Norte, que começou a frequentar o Centro Cultural após assistir a um show, no começo deste ano, e logo descobriu a instalação para escutar toca-discos: “Eu nunca tinha visto ou escutado em uma vitrola, então foi minha primeira vez. A qualidade (do som) é muito boa. Eu aprendi a mexer no equipamento. Foi uma experiência diferente porque é de graça e está disponível para qualquer pessoa, é muito legal”, disse.
Assim como nos grupos de dança, o hábito de frequentar o espaço também se espalha entre amigos. Foi Ana Júlia quem apresentou a estrutura para Isabela do Carmo Silvério, também de 16 anos. Após visitarem a biblioteca, as duas ficaram curiosas com os aparelhos de som e decidiram explorar o acervo.
“Acho que o primeiro disco foi The Smiths e depois a gente escutou Madonna. Ficamos cantando aqui, foi super divertido”, relatou Isabela, destacando a experiência no espaço: “Valoriza a cultura e principalmente as coisas antigas. Está tudo muito bem preservado, além de proporcionar diversão com as amigas e fazer a gente sair um pouco de casa”, contou.
A descoberta da mídia física também mobilizou Gustavo Machado Dutra, de 18 anos, que esteve no local para escutar vinil pela primeira vez por indicação de conhecidos e escolheu o álbum da banda britânica Tears for Fears. “É diferente, nunca tinha escutado por vinil. Eu acredito que é uma experiência legal que todo mundo deveria ter, pelo menos uma vez na vida”, afirmou.
Ian William Duarte de Almeida Prado, de 17 anos, tem máquina de escrever, máquina fotográfica digital e, desde criança, ouve discos na vitrola. Ele ressalta o impacto da gratuidade e da infraestrutura do equipamento da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (SMC) para os frequentadores: “É muito importante quando você consegue aumentar o acesso à cultura e à música para quem quiser”.
Serviço:
Centro Cultural São Paulo
Endereço: Rua Vergueiro, Nº1000 - Liberdade - São Paulo
Horário de funcionamento: 10h às 22h
Entrada: Gratuita
Instalação Oneyda Alvarenga - Piso Flávio de Carvalho
Horário de funcionamento: 10h às 18h
Entrada: Gratuita
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