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Criação: 24/05/26 16:46

Virada Cultural transforma reciclagem em geração de renda para catadores no Centro de São Paulo

Central de Reciclagem instalada no Largo Paissandu prevê recolher mais de 4 toneladas de materiais durante as 24 horas do evento e reforça inclusão produtiva e sustentabilidade

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Enquanto milhares de pessoas ocupam shows, museus e palcos da Virada Cultural 2026, outro movimento intenso acontece pelas ruas do Centro de São Paulo: o trabalho de catadores e catadoras responsáveis pela coleta de materiais recicláveis durante um dos maiores eventos culturais do país. Instalada no Largo Paissandu, a Central de Reciclagem da Virada Cultural funciona durante as 24 horas do festival e mobiliza catadores nos arredores dos palcos do Anhangabaú, República, São João e Largo do Arouche. A expectativa é de recolher mais de 4 toneladas de alumínio, plástico, vidro e papelão ao longo do fim de semana.

 

A iniciativa alia sustentabilidade, limpeza urbana e geração de renda em uma cidade que, durante a Virada, multiplica sua circulação de pessoas e resíduos. São 165 trabalhadores trabalhando na Central e recebem diária de R$ 250, além de alimentação e kit completo com camiseta, boné, capa de chuva, luvas e sacos de ráfia para separação dos materiais recicláveis. A ação é realizada pela Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), em parceria com o Instituto Rede Cata Sampa, com patrocínio da Loga e apoio da Prefeitura de São Paulo.

Catador há 35 anos, Rui Coelho Filho, de 51 anos, nasceu em Ponta Grossa, no Paraná, e hoje vive na Zona Norte da cidade de São Paulo. Durante a Virada Cultural, ele percorre diferentes pontos do Centro recolhendo principalmente garrafas PET e copos descartáveis. “A gente separa tudo certinho: PET, plástico, vidro e papelão. Cada item vai para um saco diferente”, explicou. Segundo ele, grandes eventos como a Virada representam uma oportunidade importante para trabalhadores da reciclagem. “Não é só para os catadores autônomos, mas também para o pessoal das cooperativas. Todo mundo consegue trabalhar”, afirmou. Ele explica que o volume de material aumenta significativamente durante a festa. “Dá para tirar uma renda maior, sim. Tem mais material circulando e muito trabalho acontecendo ao mesmo tempo.”

Moradora do Centro, a catadora Maria Dulcineia Silva, de 62 anos, participou pela primeira vez da ação e comemorou o resultado obtido logo nas primeiras horas de trabalho. “Já bati minha meta. Comecei cedo e consegui fazer os 25 quilos para receber os R$ 250”, contou, ainda antes de o sol nascer. Segundo ela, o valor arrecadado será utilizado para ajudar nas despesas de casa. Também moradora da região central, Miriam Araujo Cardoso, de 52 anos, destacou a importância ambiental da iniciativa. “Além do trabalho e desse ganho, a gente vê que também está contribuindo com o meio ambiente”, afirmou.

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