Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas

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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2026 | Horário: 17:51
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Prefeitura de São Paulo entrega o Plano de Ação Climática totalmente revisado

A Prefeitura de São Paulo lançou, neste 25 de janeiro de 2026, data em que a capital completou 472 anos, a versão online da primeira revisão do Plano de Ação Climática do Município de São Paulo (PlanClima SP).

A nova versão consolida avanços na metodologia, refinamento da governança municipal e monitoramento do Plano, com vista para aprimorar a transparência e, assim, ampliar o processo participativo, reforçando a estratégia da cidade no enfrentamento às mudanças climáticas. O documento ainda passará por aprimoramento de design e diagramação, sendo a versão final disponibilizada conjuntamente com a validação oficial pela rede C40. 

O PlanClima SP é o principal instrumento de planejamento climático do município e nasceu do compromisso assumido por São Paulo com a agenda internacional. Em 2018, após a assinatura da Carta Compromisso com o Acordo de Paris (2015), a cidade aderiu ao Deadline 2020, iniciativa do C40 que orienta os municípios a desenvolver planos capazes de conduzir à neutralidade de emissões de CO até 2050.

A elaboração do PlanClima teve início em 2019 e resultou na publicação do documento em 2021. No mesmo ano, o Decreto nº 60.290/2021 instituiu formalmente o plano e definiu as atribuições da Secretaria Executiva de Mudanças Climáticas (SECLIMA). Desde então, entre 2022 e 2025, a Secretaria lançou relatórios anuais de acompanhamento das metas e ações previstas, em conformidade com a transparência e monitoramento contínuo.

Por que o PlanClima foi revisado?

A primeira revisão do PlanClima SP teve início em 2025, conforme previsto em decreto, e incorporou análises técnicas desenvolvidas ao longo de quatro anos de monitoramento do plano. O objetivo central desse processo foi tornar as metas e ações mais claras, aplicáveis e mensuráveis, fortalecendo a efetividade do instrumento como orientador da política climática do município.

Para isso, a revisão adotou os critérios da Metodologia SMART, que estabelece diretrizes para a formulação de metas específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e com prazos definidos. A nova versão também traz uma mudança estrutural importante: as metas passam a expressar diretamente os resultados a serem alcançados, enquanto as ações estratégicas são organizadas como os meios para atingir esses objetivos.

Processo técnico e participativo

A revisão do PlanClima SP foi estruturada a partir de três frentes complementares:

1.         Avaliação técnica preliminar conduzida pela equipe da SECLIMA.

2.         Interlocução com as secretarias municipais responsáveis pela implementação das ações e pelo reporte dos dados associados às metas.

3.         contribuições oriundas do processo participativo.

O processo participativo contou com a formação do Grupo de Trabalho Participativo (GTP), instituído pela Portaria nº 79/2025 e composto por 42 instituições representantes do setor privado, terceiro setor, associações da sociedade civil, academia e órgãos públicos. As contribuições do GTP foram reunidas por meio de formulário eletrônico e posteriormente analisadas de forma técnica.

Além disso, a Minuta de Revisão foi submetida a Consulta Pública na Plataforma Participe+, aberta a toda a população, e foi tema de uma Audiência Pública na Câmara Municipal de São Paulo. Ao todo, foram recebidas 212 contribuições e 25 novas propostas na consulta, além de outras 326 contribuições encaminhadas pelo GTP.

Após a consolidação das devolutivas das secretarias municipais, foi concluída a revisão do plano, que agora incorpora descrições detalhadas das metas e define os indicadores necessários para o monitoramento contínuo do PlanClima SP.

Principais mudanças e avanços

A revisão manteve a estrutura original do plano, mas atualizou metas, ações e conceitos com base nos diagnósticos mais recentes de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e de riscos climáticos. As definições apresentadas foram construídas a partir dos Inventários de Emissões de GEE, dos estudos de riscos climáticos e do acúmulo de informações dos Relatórios de Acompanhamento publicados entre 2022 e 2025.

O plano continua organizado em cinco estratégias, com objetivos, metas e ações voltadas à mitigação das emissões, à adaptação da cidade e ao fortalecimento da resiliência urbana. Apenas uma das estratégias teve seu nome atualizado, passando a considerar, além da Mata Atlântica, a existência de remanescentes de outros biomas, como o Cerrado.

As estratégias do PlanClima SP são:

  • Rumo ao Carbono zero em 2050: orienta as metas e ações integradas de mitigação para reduzir emissões até 2050, promovendo mobilidade sustentável, eficiência energética, energias renováveis, gestão de resíduos e inclusão social, com benefícios econômicos, ambientais e territoriais. 
  • Adaptar a cidade de hoje para o amanhã: tem como foco fortalecer a capacidade de adaptação da cidade aos riscos climáticos, reduzindo vulnerabilidades sociais e da infraestrutura urbana, de modo a assegurar a continuidade das funções essenciais após eventos extremos. 
  • Proteger pessoas e bens: orienta a preparação e a resposta da cidade a eventos climáticos extremos, por meio de ações preventivas, sistemas de alerta, protocolos de atuação e capacitação de servidores, equipes municipais e da população, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis. 
  • Cuidar dos biomas, fortalecer a cidade: prioriza a conservação, recuperação e ampliação das áreas verdes como estratégia transversal de enfrentamento das mudanças climáticas, promovendo permeabilidade do solo, conforto térmico e sequestro de carbono, com foco na Mata Atlântica e nos remanescentes de outros biomas, como o Cerrado. 
  • Gerar trabalho e riqueza sustentáveis: busca fortalecer o desenvolvimento econômico da cidade por meio da geração de trabalho e renda de forma equitativa, resiliente aos impactos climáticos e baseada na promoção de atividades e empregos de baixo impacto ambiental e de benefícios socioambientais. 

Outra mudança relevante está no aumento expressivo do número de metas e de secretarias envolvidas. Enquanto a primeira versão do PlanClima SP contava com 43 metas e 13 secretarias envolvidas, a versão revisada passa a ter 115 metas, um acréscimo de 72 metas, além de 23 secretarias envolvidas, refletindo maior detalhamento e amplitude das ações climáticas municipais.

Metas e prazos

Considerando que o PlanClima SP ultrapassa a gestão atual (2025–2028) e se estende por mais de cinco gestões futuras, as metas e ações foram organizadas por prazos:

  • Curto prazo: até 2028;
  • Médio prazo: de 2029 a 2036;
  • Longo prazo: de 2037 a 2050.

Além das metas específicas de cada secretaria, o plano apresenta metas gerais que orientam a política climática da cidade. Esse cenário foi fundamental para a definição da meta intermediária de mitigação e para a construção do caminho rumo à neutralidade de emissões.

Orçamento Climático 

A revisão também foi integrada aos instrumentos de planejamento financeiro do município. O Orçamento Climático do Município de São Paulo (OCMSP), instituído pelo Decreto nº 64.688/2025, alinha o planejamento climático ao orçamento municipal e viabiliza a execução das metas do PlanClima SP e da Política Municipal de Mudança do Clima.

Justiça Climática

O processo de urbanização da cidade de São Paulo aconteceu de forma desigual, produzindo assimetrias socioespaciais que influenciam diretamente a exposição da população mais vulnerável aos riscos climáticos. Com o avanço das mudanças climáticas e com o aumento da frequência e intensidade que ocorrem os eventos extremos, essas vulnerabilidades estruturais tornam-se mais comuns, afetando de forma desigual os diferentes grupos e territórios da cidade.

Diante desse cenário, a revisão do PlanClima SP também reforça a justiça climática como princípio orientador das ações de adaptação e mitigação, priorizando os territórios e populações mais expostos aos riscos. A nova versão do Plano dá maior enfoque para a questão da justiça climática, com metas e 
ações focadas para grupos vulneráveis prioritários, como idosos, crianças (especialmente a primeira infância), pessoas localizadas em áreas de risco, e com maior suscetibilidade a sofrer com os impactos das mudanças climáticas.

Página do Plano de Ação Climática do Município de São Paulo

Clique aqui ou na imagem abaixo e veja a Versão Original Pré-Publicação da Primeira Revisão do Planclima. 

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