Natureza paulistana: São Paulo abriga mais de mil espécies de animais silvestres
Quando se pensa na capital paulista, é comum imaginar uma cidade marcada por construções, grandes vias de circulação de veículos e intensa vida urbana. Tudo isso é verdade, mas São Paulo também abriga uma rica diversidade de animais silvestres, algo inimaginável em uma metrópole que ficou conhecida por seus arranha-céus. Gambás, macacos, corujas, garças, serpentes e preguiças são alguns exemplos dessa fauna.
Mesmo com a intensa urbanização, a cidade mantém remanescentes de Mata Atlântica, parques, praças, bosques urbanos, corredores verdes e corpos d’água que abrigam diferentes espécies de animais silvestres. A conexão entre essas áreas favorece o deslocamento da fauna pela cidade, enquanto a vegetação oferece abrigo e condições para sua permanência na capital.
O Inventário da Fauna Silvestre do Município registra mais de 1,4 mil espécies na capital paulista, mostrando a importância das áreas verdes para a conservação da biodiversidade. Do total identificado, aproximadamente 860 espécies são de vertebrados, como aves, mamíferos, anfíbios, répteis e peixes. Cerca de outras 600 são de invertebrados, entre eles moluscos, aracnídeos e insetos. Do total, mais de 220 espécies estão ameaçadas de extinção, equivalente a 15% dos registros.
Desde 2021, a Divisão de Fauna Silvestre (DFS), órgão vinculado à Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), recebeu mais de 56 mil animais silvestres. Nesse período, em torno de 8,7 mil foram reabilitados, mais de 22 mil foram soltos na natureza e aproximadamente 1,1 mil foram repatriados (encaminhados de volta a seus habitats de origem). Somente em 2025, foram recebidos mais de 13 mil animais. Neste ano, já foram quase 7 mil até julho.
Da mata às ruas
A fauna silvestre, geralmente associada a florestas e áreas rurais, também está presente na paisagem urbana. Além de gambás, bugios e saguis, a capital abriga aves como sabiás-laranjeiras, bem-te-vis, periquitos, beija-flores e tucanos. Borboletas, mariposas, sapos, pererecas, lagartos e peixes também podem ser encontrados em parques, fragmentos de mata e corpos d’água.
A presença desses animais no ambiente urbano exige adaptação e convivência com a população. Nem todo animal silvestre encontrado em quintais ou jardins precisa ser resgatado: quando está saudável e não apresenta sinais de perigo, pode estar apenas de passagem pelo local. Nesses casos, a orientação é manter distância e permitir que ele siga seu caminho, sem tentar capturá-lo ou alimentá-lo.
Manual Cidade Amiga da Fauna
Para orientar a convivência entre a população e os animais silvestres, a Prefeitura conta com o Manual Cidade Amiga da Fauna, elaborado em parceria com o Instituto Ampara Silvestre. A publicação reúne diretrizes para a proteção de habitats, o manejo de áreas verdes e a infraestrutura urbana, além de medidas para reduzir ameaças à fauna.
A vida urbana também apresenta riscos para a fauna. Atropelamentos, colisões contra vidros, iluminação artificial, poluição sonora e contato com animais domésticos estão entre os fatores que podem afetar os silvestres. A preservação dos habitats, a conexão entre espaços verdes e o planejamento urbano contribuem para reduzir esses impactos.
Reabilitação e vida livre
Nos casos em que precisam de atendimento, os animais silvestres podem ser encaminhados à Divisão da Fauna Silvestre. Eles chegam ao serviço por diferentes motivos, como acidentes, problemas de saúde, filhotes órfãos ou apreensões em ações de combate ao tráfico e à manutenção irregular de animais silvestres em cativeiro.
“São Paulo abriga uma fauna silvestre diversa e abundante, presente em parques, áreas verdes e corpos d’água. Conhecer as espécies e acompanhar sua distribuição pelo município é fundamental para orientar as ações de conservação e criação de políticas públicas”, afirma Juliana Summa, coordenadora de Gestão de Parques e Biodiversidade Municipal.
O atendimento varia conforme a espécie e o quadro clínico, e pode incluir exames, medicação, cirurgias e alimentação específica. Após a recuperação clínica, os animais geralmente passam por reabilitação para retomada de suas habilidades necessárias à vida livre, como buscar alimento e interagir com indivíduos da mesma espécie. A soltura só ocorre após avaliação das condições de sobrevivência na natureza.
Quando estão aptos, os animais são devolvidos à natureza em Unidades de Conservação, parques, áreas verdes cadastradas ou Áreas de Soltura e Monitoramento de Fauna autorizadas no estado de São Paulo. A escolha considera as características de cada espécie e sua área de ocorrência natural. Quando o animal não é originário da região, pode ser feita a repatriação para seu habitat de origem, em parceria com outros centros especializados.
Os animais que não podem retornar à vida livre recebem destinação adequada, como o encaminhamento para instituições ou criadouros conservacionistas autorizados.
Bugios
Além do atendimento e da reabilitação, a Prefeitura desenvolve ações de conservação de espécies, como a dos bugios, cuja população sofreu redução significativa após o surto de febre amarela de 2017 e 2018.
“Desde 2024, os bugios vêm sendo vacinados e soltos sistematicamente na Cantareira, com acompanhamento de equipe técnica capacitada e monitoramento constante”, destaca Sergio Novita, diretor da Divisão da Fauna Silvestre.
Como ajudar
A Divisão especializada da Prefeitura atende exclusivamente animais silvestres. Os domésticos, exóticos ou de criação não são recebidos pelo serviço.
Nem todo animal encontrado em áreas residenciais precisa de resgate. Se estiver saudável e não apresentar sinais de ferimentos ou risco, mantenha distância e permita que ele saia espontaneamente. Filhotes de aves podem estar sob os cuidados dos pais e não devem ser recolhidos sem orientação técnica.
Ao encontrar um animal ferido, debilitado ou em situação de risco, entre em contato com a DFS pelo telefone (11) 3885-6669 ou pelo WhatsApp (11) 95220-0219. A equipe orienta sobre os cuidados necessários, o transporte até uma unidade de atendimento ou o acionamento de uma equipe de resgate.
Atropelamentos, ataques de animais domésticos, choques elétricos e ferimentos provocados por linhas de pipa são algumas das situações que podem exigir atendimento. Em caso de dúvida, a população também pode consultar a DFS pelo WhatsApp.
A GCM Ambiental pode ser acionada pelo telefone 153 para situações que exigem resgate. Suspeitas de criação inadequada ou manutenção irregular de animais silvestres em cativeiro podem ser comunicadas pelos canais oficiais da Prefeitura ou pelo telefone 156.
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