Casa Civil
Câmara Municipal aprova regras para o serviço de mototáxi visando mais segurança no trânsito
A Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta segunda-feira (08) o Projeto de Lei 1487/25, que disciplina o uso do viário urbano para o transporte individual remunerado de passageiros por motocicletas - os mototáxis. O objetivo é estabelecer regras claras para aumentar a segurança de usuários, condutores e pedestres, diante do avanço dos acidentes envolvendo motociclistas na cidade e em todo o país.
Com cerca de 1,3 milhão de motocicletas circulando diariamente em São Paulo, de um total de 9 milhões de veículos, a regulamentação busca responder ao crescimento acelerado desse modal. O texto reforça que o transporte de passageiros em motocicletas envolve risco elevado e demanda cuidados adicionais, já que um acidente pode colocar duas vidas em risco simultaneamente.
Regras para as empresas
A proposta determina que empresas que explorem ou intermediem o serviço deverão obter credenciamento anual, a ser analisado em até 60 dias. Entre as obrigações previstas estão:
- Contratação de Seguro de Acidentes Pessoais de Passageiros (APP) com cobertura para passageiro, condutor e terceiros;
- Instalação de pontos de apoio e descanso para os condutores;
- Compartilhamento de dados essenciais à fiscalização e segurança viária (rotas, velocidade, telemetria);
- Limitação de um único veículo por condutor cadastrado;
- Proibição de estímulos que incentivem velocidade, como bonificações ou descontos baseados em tempo;
- Disponibilização de colete reflexivo ao passageiro e limitador de velocidade no aplicativo.
As multas previstas variam entre R$ 4 mil e R$ 1,5 milhão, podendo ser aplicadas por dia.
Requisitos para os condutores
Para atuar como mototaxista, o condutor deverá realizar um cadastro municipal gratuito, operando exclusivamente por meio de empresas credenciadas. As exigências incluem:
- Idade mínima de 21 anos;
- CNH A ou AB há pelo menos 2 anos, com anotação EAR;
- Curso especializado (custado pela empresa);
- Ausência de infrações gravíssimas nos últimos 12 meses;
- Ausência de condenações por crimes graves, especialmente contra a vida, a mulher ou a dignidade sexual;
- Inscrição ativa no INSS;
- Exame toxicológico com janela de 90 dias;
- Fornecimento de capacete homologado e touca descartável ao passageiro.
O cadastro poderá ser suspenso em caso de sinistros ou outras situações definidas por regulamento.
Especificações para as motocicletas
A frota destinada ao serviço deverá atender a critérios técnicos de segurança, como:
- Certificado de Segurança Veicular (CSV);
- Registro na categoria aluguel (placa vermelha);
- Até 8 anos de fabricação;
- Motor entre 150 e 400 cilindradas (ou equivalente em modelos elétricos);
- Itens obrigatórios: alças para passageiros, proteção de pernas e motor, corta-linha (“corta-pipa”), limites de ruído e emissões;
- Aprovação em inspeções periódicas.
Circulação e restrições
A Prefeitura poderá definir perímetros específicos, além de pontos oficiais de embarque e desembarque em estações e terminais. Também poderá utilizar tecnologias como geofencing para aumentar a segurança e evitar conflitos com o transporte coletivo.
O serviço de mototáxi ficará proibido em:
- Corredores e faixas exclusivas de ônibus;
- Vias de trânsito rápido;
- Zonas de Máxima Restrição de Circulação de caminhões;
- Região do Minianel Viário;
- Situações climáticas adversas, como chuva intensa, vendaval, baixa visibilidade e enchentes.
Implementação gradual
O texto recomenda que, se sancionada, a implantação ocorra inicialmente em formato de projeto-piloto, restrito a empresas credenciadas e número limitado de veículos. A iniciativa permitirá avaliar impactos e realizar ajustes antes da expansão para toda a cidade.
Contexto: acidentes em alta
A regulamentação surge em um cenário de alerta. Segundo o Atlas da Violência 2025 (Ipea), o número de mortes de usuários de motocicletas no Brasil cresceu mais de dez vezes nas últimas três décadas. No estado de São Paulo, 34,2% dos óbitos no trânsito envolvem motocicletas. Apenas em 2023, foram 1.079 mortes, um aumento de 41,4% em relação a 2018.
Além das vidas perdidas, o crescimento dos acidentes gera forte impacto no sistema de saúde e na previdência social. Um terço dos motociclistas acidentados desenvolve sequelas permanentes, resultando em afastamentos prolongados, auxílios-doença e aposentadorias por invalidez.
Por isso, a proposta trata o tema não apenas como uma discussão de liberdade econômica, mas como uma pauta de segurança viária, saúde pública e responsabilidade social.
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