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Criação: 23/02/26 20:54

Ação inédita no Ibirapuera retira 31,48 toneladas de recicláveis e garante renda a 200 catadores no Carnaval

Iniciativa do Bloco da Reciclagem 2026 remunera por metas e alia sustentabilidade à inclusão produtiva durante os desfiles

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A operação de reciclagem realizada durante os blocos de Carnaval no Ibirapuera retirou 31,48 toneladas de materiais recicláveis do circuito da festa. A ação inédita mobilizou 200 catadores cadastrados e remunerados por metas de produção, integrando o Bloco da Reciclagem 2026 e reforçando o caráter ambiental e social da política pública.

Diferentemente da venda tradicional de materiais nas ruas, os trabalhadores cadastrados prestaram serviço estruturado e com pagamento imediato por desempenho. Cada catador pôde optar por duas metas: 15 quilos, com remuneração de R$ 150, ou 20 quilos, com pagamento de R$ 250. O controle foi feito por meio do Painel da Circularidade, ferramenta digital lançada em 2024 que monitora em tempo real a produção individual, metas atingidas e valores a receber. O pagamento é realizado assim que a meta é alcançada, e o excedente pode ser acumulado para o dia seguinte.

Gilmar Aparecido Braga (foto), 41 anos, atua há mais de cinco anos como catador autônomo. Morador da Brasilândia, trabalha normalmente na região de Pinheiros. Ele explica que, fora da ação estruturada, precisaria recolher cerca de 240 quilos de material — em duas viagens com a carroça, de aproximadamente 120 quilos cada — para alcançar valor semelhante ao pago pela meta de 20 quilos no evento. “Aqui é mais rápido. Na carroça você tem que andar muito”, relatou. Desempregado no momento, ele afirma que a renda extra será destinada a despesas básicas. “Faço compra, pago água, luz, bujão de gás. Tudo muito caro. Ajuda bastante.”

A catadora Maria José de Lucena, 68 anos, comemorava a estrutura montada próxima aos blocos. “Quando fica distante é bem complicado. Assim, mais perto, é bem bacana. Hoje já fiz duas coletas. Entrego as latinhas que recolhi, recebo meu dinheiro, saio feliz e cantando. Hoje já recebi R$ 200, ajuda no orçamento de casa. Já estou pronta para fazer mais uma coleta daqui a pouco”, contou.

Para Valdo de Oliveira Carvalho, 66 anos, o trabalho representa reforço direto no sustento da família. “Hoje fiz duas coletas e farei mais uma. Já recebi R$ 250. Compensa, porque consigo comprar as coisas que minha família e eu precisamos em casa.”

A oportunidade também é vista como chance de reorganizar a própria atividade. O catador Alberto Fonseca Camargo, 48 anos, e a esposa, Verônica da Silva Souza, 48, estimavam arrecadar até R$ 4 mil durante a operação — cerca de R$ 2 mil para cada um. O objetivo é consertar a Kombi utilizada no trabalho, que teve a bateria roubada e o motor danificado. “Não posso falar que isso é lixo, porque isso não é lixo. Isso é reciclável. É o que sustenta a minha família. Dentro daquele saco tem uma esperança. É melhor do que pedir as coisas para os outros”, afirmou Alberto.

Verônica destaca a diferença em relação ao trabalho informal nas ruas. “Para a gente que trabalha com reciclagem, o valor na rua é muito pouco. Aqui é organizado e a gente trabalha com mais segurança.”
 


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