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Criação: 26/02/26 16:33

Aos 11 anos, aluna da rede municipal de ensino já é ‘mestre nacional’ de xadrez

Ana Júlia começou a jogar na escola, no Jardim Ângela, aos 8 anos; campeã Paulista Juvenil Sub-20, ela treina até seis horas por dia
Agência SampaNews

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Na rede municipal de ensino de São Paulo, o xadrez faz parte da rotina escolar de milhares de estudantes — e, para alguns, torna-se caminho de excelência. Foi assim com Ana Júlia Cândido Vieira, aluna da EMEF Vila do Sol, no Jardim Ângela. Aos 11 anos, ela já é Mestre Nacional e campeã Paulista Juvenil Sub-20, resultado de uma trajetória iniciada dentro da própria escola, por meio do Programa Jogos de Tabuleiro, da Prefeitura de São Paulo. Em 2025, cerca de 21 mil alunos participaram dos Festivais Regionais do programa. Entre eles, Ana transformou a oportunidade oferecida em sala de aula em desempenho de alto rendimento, projetando o nome da rede municipal em alguns dos principais torneios.

Foi em uma dessas aulas do programa que surgiu o primeiro contato mais atento com o tabuleiro. Em uma tarde chuvosa no Jardim Ângela, a turma do 3º ano teria Educação Física na quadra, mas a mudança de planos levou o professor a propor partidas de xadrez em sala. Ana Júlia, então com 8 anos, sentou-se diante das peças pela primeira vez. A curiosidade virou concentração; a concentração, disciplina. Desde aquele dia, o jogo passou a fazer parte da rotina da estudante — inicialmente como atividade escolar, depois como treinamento sistemático.

Ana Júlia, que ainda estuda na rede municipal de ensino, é Mestre Nacional, título de alta performance no xadrez concedido a atletas que se destacam em competições oficiais. Em 2025, tornou-se campeã Paulista Juvenil Sub-20. Nos últimos três anos, acumulou resultados expressivos: campeã do Campeonato Municipal em 2023, bicampeã do Paulista Escolar, bicampeã da Diretoria Regional de Educação Campo Limpo e campeã da Final Municipal da Rede Municipal de Ensino.

Ela também já aparece no ranking da Federação Internacional de Xadrez (FIDE): ocupa a posição 1.546 na modalidade standard (partidas com maior tempo de reflexão) e 1.597 no blitz (partidas rápidas). Para efeito de comparação, o ranking nacional brasileiro reúne 2.619 jogadores ativos.

Única representante da periferia e de escola pública municipal em muitos dos torneios que disputa, Ana Júlia diz que transforma a diferença de origem em combustível. “Eu sinto muito orgulho. A maioria das pessoas que participam dos campeonatos tem boas condições, estuda em outras escolas e não mora onde eu moro. Estar ali me deixa muito feliz e orgulhosa do talento que eu tenho".

A rotina da menina, que sempre estudou em escola municipal, é rigorosa. São de cinco a seis horas diárias de treino, entre partidas on-line, jogos com a família e na escola, exercícios táticos no tabuleiro, estudo de aberturas e disputas rápidas. O desempenho acadêmico acompanha o ritmo: a estudante só tira notas 9 e 10 — e a matemática, que antes era 9, agora é 10.

O envolvimento da estudante com o jogo foi imediato. “As peças e o tabuleiro me conquistaram. Eu sou muito competitiva e amei jogar. Quando perdi uma partida, fiquei determinada a treinar para conseguir ganhar de quem tinha me vencido”, conta.

O professor da rede municipal de ensino Haroldo Wonsowski enxergou logo de cara que havia algo diferente na aluna. “Eu percebi no primeiro momento que ela tinha jeito para o xadrez. Ela tinha características de uma boa jogadora: concentração, calma. Insisti para que a mãe a colocasse nas aulas e, depois de algum tempo, vi que aquilo que eu imaginava estava se confirmando".

Os resultados vieram rápido. Com apenas cinco meses de treino, Ana Júlia já havia conquistado o Campeonato Municipal. “Quando a Ana começou no projeto de xadrez, eu jamais imaginei que ela chegaria tão longe em tão pouco tempo. Hoje posso dizer que a vida dela é o xadrez: ela acorda pensando em jogadas e dorme estudando partidas”, afirma a mãe, Cíntia Patrícia Cândido dos Santos.

O professor segue orientando a aluna, que também auxilia nas aulas do projeto. Em casa, a família passou a jogar para acompanhar sua evolução. Os irmãos mais novos, Paulo, 9, e Maria Fernanda, 7, inspirados por ela, já participam de campeonatos.

Confiante, Ana Júlia projeta novos desafios. “Neste ano, o bicampeonato do Municipal será meu”, afirma. O sonho, no entanto, vai além dos torneios locais. “Quero me tornar a melhor do mundo, alcançar o posto de Grande Mestre e ser campeã mundial".


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