A Prefeitura de São Paulo inaugurou nesta quarta-feira (8), na região da Avenida Paulista, o primeiro Espaço Motoboy da capital. Com investimento superior a R$ 2,2 milhões, o equipamento oferece estrutura gratuita para descanso e alimentação para motoboys e motogirls - com banheiros exclusivos para elas. O espaço funcionará diariamente, das 5h à 0h, sem limite de tempo de permanência, e marca um avanço nas políticas públicas voltadas à valorização da categoria ao transformar uma área antes degradada em um ponto de acolhimento e serviço.
Cerca de 350 mil profissionais atuam como motoboys e motogirls ou entregadores na capital, desempenhando papel essencial na dinâmica econômica da cidade, onde 1,3 milhão de motos circulam diariamente, sendo que aproximadamente 700 mil são utilizadas para trabalho.
Ao inaugurar o espaço, o prefeito Ricardo Nunes lembrou que a estrutura foi construída em uma área que estava degradada e foi transformada em um serviço para dar dignidade a esses profissionais. “Conseguimos recuperar esse espaço e implantar aqui uma estrutura de qualidade, pensada para vocês”, afirmou o prefeito. “É um espaço super importante. Além da questão do conforto, isso contribui para algo fundamental: permitir que os motociclistas tenham um momento de descanso para continuar a jornada de trabalho, que é muito estressante”.
O espaço é resultado do diálogo direto com representantes da categoria e foi concebido para garantir melhores condições de trabalho, e também é um reconhecimento da Prefeitura a esses profissionais. A estrutura conta com área coberta de descanso e alimentação, equipada com mesas, micro-ondas e refrigeradores, além de sanitários, tomadas para recarga de celular, Wi-Fi, televisão e armários para capacetes e bags. O local também dispõe de estacionamento gratuito com 58 vagas para motocicletas e 28 para bicicletas.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart, ressalta que a iniciativa estabelece um novo padrão de acolhimento. “O Espaço Motoboy é um exemplo que a Prefeitura oferece também à iniciativa privada, para que siga esse modelo. Vocês merecem e precisam de um lugar como este, para descansar, recarregar o celular, usar o banheiro e atender outras necessidades do dia a dia. Além disso, teremos aqui equipes da Prefeitura oferecendo orientações e serviços. É um espaço de alto padrão, como vocês merecem”.
Focado na ampliação do projeto, o prefeito Ricardo Nunes disse que esse primeiro espaço serviu para chegar a um modelo ideal. “Agora que temos essa ‘receita’, a expansão será mais rápida. A expectativa é que, até o fim do ano, tenhamos pelo menos mais três unidades entregues.”
Dificuldades nas ruas
A falta de infraestrutura enfrentada nas ruas é uma realidade para a maioria dos motoboy, como afirma Alexandre Rodrigues Mendes, de 51 anos, que está nessa profissão há 25. Diabético, ele se emociona ao enumerar funções básicas que a nova estrutura vai proporcionar à categoria. “A gente não podia trazer marmita. Tinha que comer pão ou bolacha, porque não havia onde esquentar a comida. Eu tenho diabetes e passei por muito sofrimento. Sempre sonhei em ter um espaço assim. Isso aqui é uma bênção.”
Ele destaca o impacto direto na rotina: “Agora dá para esquentar a marmita. Muitas vezes a gente pedia para esquentar em algum prédio, e não deixavam. Já comi muita comida fria. Falei para a minha esposa: a partir de agora, você pode fazer marmita todos os dias, porque eu tenho um lugar para esquentar”.
A melhoria nas condições de trabalho também é percebida por outros profissionais. Motoboy há 20 anos, Thiago Nascimento Santos, 38, afirma que o espaço traz mais dignidade no dia a dia. “A gente tinha que parar em estabelecimentos para usar o banheiro, e em muitos a gente era discriminado e não podia entrar. Então, com esse espaço aqui vai ser muito agradável e muito útil para a gente poder parar, descansar, esquentar a marmita, ter um tempinho para refletir, colocar o celular para carregar.”
Para quem está há menos tempo na atividade, como Erica Regina dos Santos, de 34 anos, o impacto também é imediato. “Para comer, eu tento achar um restaurante mais próximo. Quando não dá, acabo voltando para casa com fome ou comendo alguma besteira. É difícil.” Ao conhecer o local, ela ressalta: “É um ambiente bem aconchegante, em meio à natureza, onde a gente fica mais tranquilo. Dá para descansar, relaxar e até desestressar do trânsito. Vou usar quando estiver por aqui”.
“A gente trabalha 12 horas ou até mais na rua e, muitas vezes, não tem onde sentar, comer com tranquilidade ou carregar o celular. Então, esse ponto de apoio da Prefeitura é muito importante”, afirma Igor Monteiro da Silva, motoboy há seis anos. Ítalo, que começou nas entregas durante a pandemia, reforça a importância do acolhimento: “A gente pode guardar e esquentar a marmita, tem um lugar confiável, onde fazemos amizade e nos sentimos mais seguros”. Já Estefani destaca a segurança e o bem-estar: “Ter esse espaço ajuda muito a gente. A gente não precisa mais ficar com aquela preocupação de não ter onde ir ao banheiro. Me sinto muito melhor”.
Política pública permanente
O prefeito também destacou a relação entre a iniciativa e a segurança no trânsito. “Ter um espaço como esse, para descansar, fazer uma pausa, usar o banheiro, conversar, ajuda diretamente na segurança. Isso impacta no desempenho de vocês e na redução de acidentes”, afirmou.
O cuidado com a categoria também se reflete em políticas públicas voltadas à segurança viária. A cidade conta atualmente com 233,3 quilômetros de Faixa Azul, distribuídos em 46 corredores, o que torna o deslocamento mais seguro e ágil. “A Faixa Azul tem demonstrado, pelos estudos técnicos, uma grande redução de acidentes e de óbitos”, disse Nunes.
A proposta da Prefeitura é expandir o modelo para outras regiões da cidade. “Esse é o primeiro de muitos espaços que vamos implantar. Vamos levar essa estrutura para outras regiões da cidade, sempre com padrão de qualidade”, afirmou o prefeito.
O projeto do Espaço Motoboy foi desenvolvido em parceria entre a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) e a Agência São Paulo de Desenvolvimento (Ade Sampa), ligada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET). Coube à SMSUB a execução da infraestrutura — incluindo pavimentação, redes de água e esgoto, iluminação e paisagismo — enquanto a Ade Sampa foi responsável pelo projeto, implantação da edificação modular, mobiliário e operação do equipamento.
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