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Criação: 16/04/26 20:15

Tratamento com robô que usa jogos ajuda pacientes a retomar a rotina após AVC

Centros de Reabilitação da Prefeitura adotam a robótica como forma complementar de tratamento em suas estratégias terapêuticas

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Nos Centros Especializados de Reabilitação (CERs) da Prefeitura de São Paulo, pacientes que sofreram Acidente Vascular Cerebral (AVC) contam com o apoio de um robô que utiliza dinâmicas semelhantes às de jogos de videogame para auxiliar na recuperação dos movimentos, tornando as sessões mais interativas e estimulantes.

Diante de uma tela com atividades interativas, exercícios repetitivos dão lugar a tarefas inspiradas no cotidiano, como arremessar uma bola, pescar, pintar ou servir uma refeição. Cada movimento é monitorado em tempo real, com registro de dados como força, velocidade, trajetória e precisão.

A dona de casa Diana Gomes de Souza, de 47 anos, voltou a desempenhar tarefas simples após iniciar o tratamento. “Já até voltei a cozinhar e me coçar sozinha. Isso me dá mais esperança”, afirma. Ela sofreu um AVC em setembro de 2024 e está há um ano na terapia robótica, que começou com desconfiança após perder quase completamente os movimentos. “Olhei esse robozinho e achei que não ia me reabilitar”, relembra. Mãe de três filhos, Diana conta com o apoio do caçula, de 12 anos, no dia a dia. “É por ele que estou melhorando e estou muito feliz.” Além da terapia robótica, ela também recebe atendimento psicológico e ganhou equipamentos como cadeira de rodas, bengala e bota ortopédica.

Os números da Secretaria Municipal de Saúde refletem tanto o avanço da oferta pública quanto a crescente demanda por cuidados diferenciados após o AVC, com um aumento de 74% de 2021, com mais de 10,1 mil pessoas atendidas, para mais de 17,6 mil em 2025. Os tratamentos de reabilitação abrangem dimensões física, auditiva, intelectual e visual. 

Entre as estratégias terapêuticas, a robótica vem ganhando espaço como aliada. Utilizado de forma complementar aos demais atendimentos, o Assistive Rehabilitation Machine (ARM) — robô portátil desenvolvido no Brasil — auxilia na recuperação dos movimentos dos membros superiores por meio de uma manopla que conduz o paciente em atividades virtuais.

Tratamento personalizado
Segundo Viviane Barreto Sales, terapeuta ocupacional do CER IV Dr. Milton Aldred, no Grajaú, o diferencial está na capacidade de personalização do tratamento. “O interessante do robô é a possibilidade de fazer uma avaliação inicial, verificando o quanto o paciente tem de força e precisão do movimento, para determinarmos o nível de suporte a ser oferecido na terapia. E, no final de cada sessão, é gerado um relatório com o desempenho do paciente para podermos planejar os próximos passos do tratamento”, explica.

O sistema também ajusta automaticamente o nível de dificuldade, aumentando gradualmente os desafios conforme a evolução clínica. Essa lógica, semelhante à de jogos eletrônicos, contribui para maior adesão ao tratamento e permite um volume elevado de repetições — fator essencial para a recuperação motora.

Foi assim que o frentista Murilo da Silva Santos, de 37 anos, começou a retomar tarefas básicas do dia a dia. Ele sofreu um AVC em dezembro de 2024 e está há um ano em terapia robótica, após ser encaminhado por uma Unidade Básica de Saúde (UBS). “Quando cheguei no CER, achei que era só um videogame”, conta. “Hoje, minha opinião é outra: o robô ajuda bastante e eu já até tomo banho e escovo o dente sozinho.” Pai de uma criança pequena, ele destaca a importância do atendimento público: “Todo esse suporte é muito importante para gente que não tem condições de pagar uma reabilitação”.

A terapia robótica não substitui os demais cuidados e integra um plano amplo, que pode incluir fisioterapia, fonoaudiologia, neuropsicologia, acupuntura, hidroterapia e estimulação cognitiva, conforme a necessidade de cada paciente.

De acordo com especialistas da rede, a combinação entre tecnologia e acompanhamento multiprofissional tem contribuído para resultados mais consistentes — especialmente diante de uma mudança no perfil dos pacientes. “Os casos de AVC têm ocorrido em idades cada vez mais jovens, reflexo de um estilo de vida marcado por estresse, má alimentação, sedentarismo e outros fatores de risco”, afirma Viviane.


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