A Prefeitura de São Paulo deu mais um passo decisivo na revitalização do Centro e lançou nesta quinta-feira (23) o Boulevard São João, projeto em parceria com o Governo do Estado e a iniciativa privada que vai transformar um dos endereços mais emblemáticos da cidade em um espaço vivo, pulsante e voltado às pessoas. A intervenção abrange cerca de 42 mil m² na Avenida São João, entre o Largo do Paissandu e a Praça Júlio Mesquita, unindo requalificação urbana, cultura e tecnologia, além de mais de 2.000 m² de painéis digitais, que vão exibir conteúdos culturais, transmissões ao vivo e projeções mapeadas, com interação em tempo real com o público.
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O Boulevard São João nasce dentro de um conjunto mais amplo de ações que vêm mudando a realidade do Centro, com aumento da segurança, obras, reurbanização e maior presença de pessoas. A Prefeitura tem avançado na recuperação de áreas históricas, como os calçadões do Triângulo Histórico e o Quadrilátero da República, além de intervenções em marcos importantes como o Viaduto Santa Ifigênia e o Viaduto do Chá. Em paralelo, a cidade registra crescimento expressivo no turismo e na economia de eventos — que saltou de R$ 42 milhões há dez anos para R$ 360 milhões no último ano, um aumento de 672% — e recebeu 47 milhões de visitantes, sendo 2,5 milhões estrangeiros.
O prefeito Ricardo Nunes apresentou o projeto e a importância da iniciativa. “É muito importante que a gente possa ter locais atrativos, então vai ser mais um grande espaço de turismo para nossa cidade e vai ficar muito bacana. Tudo respeitando a legislação, são quatro grandes painéis e a gente vai, com certeza, dar um grande passo depois de uma longa caminhada de discussão com a sociedade e de audiência pública que nos fez chegar nesse momento”, disse Nunes, que falou da importância do trabalho feito em parceria. “Nós temos hoje um único time. Essa integração tem sido muito importante para a cidade, é por isso que a gente conseguiu, depois de 30 anos, acabar com a Cracolândia”, explicou Nunes.
O governador Tarcísio de Freitas também destacou a parceria entre Estado, Prefeitura e iniciativa privada para a realização de projetos importantes para a cidade e que a região central é um exemplo claro disso. “O que a gente está fazendo é resgatar a história e devolvendo o Centro -, que antigamente era chamado de Cidade - para a população”, disse o governador, enfatizando que a região já tem alta circulação de pessoas, consumindo e frequentando os comércios e que isso é só o começo.
Dessa forma, o Boulevard amplia a oferta de espaços atrativos, seguros e organizados, incentivando a ocupação qualificada do Centro. O projeto prevê o restauro de patrimônios históricos — como a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a Estátua da Mãe Preta e o Relógio de Nichile —, além de novo mobiliário urbano, iluminação, paisagismo e ações de zeladoria, seguindo diretrizes ambientais e de preservação.
Mais do que uma intervenção física, a proposta transforma a São João em um corredor cultural a céu aberto, com programação contínua ao longo do ano. Shows, intervenções artísticas, feiras gastronômicas, atividades culturais e atrações para diferentes públicos devem ocupar o espaço de forma permanente, especialmente aos fins de semana, estimulando a permanência e a convivência. “Teremos atividades culturais todos os finais de semana, serão 29 horas de atividades. A gente acredita muito nesse projeto, que é transformador”, esclareceu Alvaro Aoas, fundador da Fábrica de Bares.
Tecnologia como fonte de transformação
Um dos diferenciais do projeto é a incorporação de tecnologia como elemento de ativação urbana.
Como contrapartida da cooperação, quatro painéis de LED serão instalados em edifícios estratégicos, como o Cine Paris República, Edifício Herculano de Almeida, Galeria Sampa e Edifício New York. Os equipamentos poderão exibir até 108 inserções por hora, com duração mínima de 10 segundos cada, sendo 70% do conteúdo destinado a arte, cultura e interesse público e 30% a mensagens institucionais de apoiadores culturais, conforme regras da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU). Não haverá instalação de placas físicas.
A Prefeitura reforça que o projeto respeita integralmente a Lei Cidade Limpa, resultado de um processo de discussão com análises técnicas, audiências públicas e aprovação dos órgãos competentes. “Para se ter ideia, nós estamos discutindo esse tema há 2 anos, tivemos várias reuniões, passou por uma análise da CPPU (Comissão de Proteção à Paisagem Urbana), teve votação e a gente precisa estar agindo, atuando e é importante que tudo que a gente tem feito, a gente tem feito com análise, com estudo, fazemos aquilo que é importante, aquilo que vai trazer geração de emprego, de renda”.
O Boulevard São João também é resultado da atuação integrada entre Prefeitura, Governo do Estado, iniciativa privada e sociedade civil. Esse modelo de cooperação tem sido fundamental para os avanços recentes no Centro, com ações coordenadas nas áreas de urbanismo, segurança, assistência social e desenvolvimento econômico.
Com vigência de 36 meses, o Termo de Cooperação estabelece que a execução e manutenção das intervenções serão realizadas pela iniciativa privada, sem custos para o município. Ao final, todas as melhorias serão incorporadas ao patrimônio público.
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