Conhecido como um esporte de cultura urbana, o skate encontrou na capital paulista o ambiente ideal para se desenvolver e revelar novos talentos. Nomes como Fernanda Galdino e Pedro Quintas, que disputam nesta semana o Campeonato Mundial de Skate Street e Park realizados na cidade até domingo (8), são exemplos dessa nova geração formada nas pistas públicas espalhadas por São Paulo.
Atualmente, a cidade conta com 170 pistas de skate mantidas pela Prefeitura, distribuídas por todas as regiões, sendo 28 delas instaladas em Centros Educacionais Unificados (CEUs). A rede de equipamentos democratiza o acesso ao esporte e serve de base para atletas que hoje representam o Brasil em competições internacionais.
Essa estrutura também se estende aos parques municipais. Atualmente, 19 parques da cidade contam com pistas de skate, ampliando os espaços de treinamento e convivência para atletas e praticantes.
Na Zona Leste, por exemplo, oito parques oferecem pistas abertas ao público. Na Zona Oeste, o Parque Zilda Natel recebeu R$ 970 mil em melhorias no último ano, incluindo a reforma completa da tradicional pista de skate. Na região, os parques Chácara do Jockey e Linear Sapé também oferecem espaço para a prática do esporte.
Entre os brasileiros que disputam o Campeonato Mundial no Parque Cândido Portinari estão dois atletas que cresceram treinando em pistas públicas da capital: Fernanda Galdino e Pedro Quintas.
Nascida na Freguesia do Ó, Fernanda, de 15 anos, é um dos nomes emergentes do skate nacional. Depois de ganhar um skate do pai aos oito anos, começou a treinar no Centro de Esportes Radicais, no Bom Retiro, um dos principais equipamentos públicos voltados à modalidade.
“A gente ia muito, comecei na mini ramp e foi lá que eu passei a gostar e a evoluir”, conta a skatista, que disputa o Mundial na categoria Park e já mira os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Fernanda Galdino treina na pista de Park do Centro de Esportes Radicais, no Bom Retiro
Para Luiz Galdino, pai de Fernanda, as pistas públicas foram fundamentais para o desenvolvimento da filha no esporte. “A maioria das pessoas do skate não tem dinheiro para pagar uma pista particular. Essas pistas públicas ajudam muito. O que foi mais importante na carreira da Fernanda foi ter esses espaços, como a pista da Freguesia, o Centro de Esportes Radicais e o half pipe no CEU Tietê”, disse.
Já Pedro Quintas, de 23 anos, representante da Vila Maria e finalista olímpico em Tóquio na categoria Park, também destaca a importância da evolução da infraestrutura na cidade. “No começo eu tinha que ir para outras cidades. Depois surgiram pistas boas como a da Chácara do Jockey e do Tietê, que ajudaram muito na minha evolução”, lembra o atleta, que começou a andar de skate aos três anos, depois de ganhar um presente de uma tia.
Hoje, Quintas celebra um marco pessoal e também para o skate da cidade: a criação do Quintas Skate Park, dentro do Centro Esportivo Thomaz Mazzoni, na Zona Norte. Durante a revitalização realizada pela Prefeitura, o espaço ganhou uma pista de tamanho oficial desenhada pelo próprio atleta.
“É um sonho ter uma pista na minha região. Carregar meu sobrenome nela é deixar um legado e mostrar que tudo não foi em vão. O skate é uma comunidade e esses espaços públicos dão condição para a molecada aprender e evoluir”, afirmou.
No último Mundial disputado em São Paulo, em 2019, Quintas terminou na terceira colocação. Agora, o atleta não esconde a empolgação em competir novamente na cidade.
“Vou abraçar essa responsabilidade e vou para cima. Eu gosto muito daqui, tenho certeza que toda a torcida vai estar junto com a gente e isso faz a diferença”, disse.
São Paulo no centro do mundo
Histórias como as de Fernanda Galdino e Pedro Quintas ajudam a explicar por que São Paulo se consolidou como uma das capitais mundiais do skate. Espalhadas por todas as regiões, as pistas públicas da cidade ampliaram o acesso ao esporte e se tornaram espaço de formação para atletas que hoje competem em alto nível.
O prefeito Ricardo Nunes destaca que a ampliação desses espaços faz parte de uma política pública voltada à promoção do esporte e da qualidade de vida na cidade.
“São Paulo valoriza cada atividade esportiva e investe para que as pessoas, em todas as regiões da cidade, tenham acesso à prática e à oportunidade de se desenvolver por meio do esporte”, afirmou.
A infraestrutura disponível na cidade ajudou a consolidar São Paulo como referência internacional na modalidade. O presidente da World Skate, Sabatino Aracu, destacou o papel da capital no cenário mundial.
“Para mim, São Paulo é o templo do skate no mundo”, afirmou o dirigente italiano. “Espero que, no futuro, São Paulo seja para o skate o que Wimbledon é para o tênis e que, ao falar de skate, digamos ‘São Paulo’.”
Essa estrutura foi determinante para que a capital paulista fosse escolhida para sediar o Campeonato Mundial de Skate Street e Park, que acontece nesta semana no Parque Cândido Portinari. Com patrocínio da Prefeitura, o evento reúne 365 atletas de 49 países e distribui pontos importantes para o ranking classificatório dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Originalmente previsto para os Estados Unidos, o torneio foi transferido para São Paulo devido à infraestrutura e à capacidade de organização da cidade.
O impacto vai além das pistas. Com transmissão para mais de 100 países, o retorno de imagem para a capital é estimado em R$ 100 milhões, impulsionando o turismo e a economia local.