Uma área que por anos sofreu com descarte irregular de lixo e degradação ambiental agora abriga um espaço dedicado à preservação da natureza: a Prefeitura de São Paulo inaugurou nesta sexta-feira (6), na Zona Leste, o Parque Natural Municipal Cabeceiras do Aricanduva, criado para proteger as nascentes do Rio Aricanduva e recuperar uma área ambientalmente estratégica para a cidade. O novo espaço é o 14º parque inaugurado desde 2021, o 7º parque natural e o 122º parque municipal da capital, resultado de uma política de ampliação das áreas verdes que elevou a cobertura vegetal de São Paulo para mais de 50% do território, plantou mais de 165 mil árvores até fevereiro de 2026 e publicou 49 decretos para transformar áreas verdes particulares em áreas de utilidade pública.
O parque contará com quatro núcleos distribuídos em uma área total de 2.214.301,80 m², sendo 100 mil m² inaugurados nesta primeira etapa. A implantação é resultado de um processo de Declaração de Utilidade Pública (DUP). A aquisição dos terrenos foi concluída em 2023, com investimento aproximado de R$ 49 milhões em desapropriações, somados a R$ 9,4 milhões destinados à implantação do parque, garantindo a proteção permanente das nascentes, sobretudo do Rio Aricanduva, além de promover a conservação ambiental, incentivar a pesquisa e preservar o território para as próximas gerações.
Dona de títulos internacionais como Cidade Árvore do Mundo e Capital Verde Ibero-Americana, a cidade de São Paulo dá mais um passo para reforçar ações que ampliam parques, protegem nascentes e contribuem para melhorar a qualidade do ar, reduzir temperaturas e aumentar a permeabilidade do solo.
“O que estamos fazendo aqui é muito mais do que inaugurar um parque. Estamos salvando a nascente do Rio Aricanduva”, disse o prefeito Ricardo Nunes ao inaugurar esse primeiro núcleo, na manhã desta sexta-feira (6). O prefeito falou também de como a iniciativa está transformando a área. “Quem conhecia esse local, sabe no que estava se transformando, em local de despejo de entulho, de invasão, depredação,o que ia fazer a gente perder essa área. Nós fazemos parte de uma história da cidade, da proteção da nascente do Aricanduva.”
Formada pelos núcleos Cabeceiras, Nascentes 02, Limoeiro e Carvalho Brasileiro, a área tem como principal objetivo preservar as nascentes que dão origem ao Rio Aricanduva, além de conservar a biodiversidade local e fomentar atividades de pesquisa científica e educação ambiental.
O secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ashiuchi, destacou o impacto da recuperação ambiental da área. “O Parque da Cabeceira do Aricanduva é a materialização de um exemplo claro de transformação na vida das pessoas. Mais do que uma área de lazer, de entretenimento e de estudo, é um espaço que transforma as famílias e a vida das pessoas. Uma área antes degradada e suja vai se tornar não só um ponto de referência para o meio ambiente, mas um cartão-postal da Zona Leste e da cidade de São Paulo.”
Estrutura do parque
O núcleo principal, com acesso pela Rua Gigi Damiani, conta com mirante, passarela elevada, torre de observação, iluminação, parquinhos, pracinhas e praça de recreação com miniquadra, além de equipamentos para atividade física, sede administrativa, guarita, calçadas acessíveis e mobiliário urbano.
O espaço também recebeu plantio de espécies nativas da Mata Atlântica e melhorias no entorno, incluindo novo abrigo para a parada da linha de ônibus 3789-10, uma demanda antiga da comunidade.
Os demais núcleos — Nascentes 02, Limoeiro e Carvalho Brasileiro — possuem guaritas e cercamento para garantir a proteção ambiental da área.
Sustentabilidade e pesquisa
A sede administrativa foi projetada com soluções sustentáveis, incluindo estrutura elevada para maior permeabilidade do solo, painéis fotovoltaicos com capacidade de 13.310 W, sistema de captação de água da chuva com reservatório de 15 mil litros, ventilação cruzada e iluminação natural.
Entre os diferenciais da estrutura estão dormitórios para pesquisadores, permitindo a realização de estudos científicos e monitoramento ambiental no local.
Por se tratar de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, o parque tem como prioridade a preservação da natureza, permitindo apenas o uso indireto dos recursos naturais, como pesquisa científica, educação ambiental e observação da biodiversidade.
Conectividade ambiental
A área integra o Corredor Ecológico Leste, previsto no Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, iniciativa voltada a garantir o fluxo de espécies entre fragmentos florestais da região e fortalecer a biodiversidade na paisagem urbana.
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