Secretaria Municipal da Saúde

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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2026 | Horário: 14:30
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Atuação comunitária fortalece a prevenção no projeto PrEP na Rua

Iniciativa extramuros voltada para a testagem de ISTs amplia o acesso aos métodos de prevenção e tratamento
A imagem mostra uma cena urbana registrada de cima, em uma esquina de bairro, provavelmente em uma região central ou mista da cidade.  No centro da foto, há um veículo adaptado da Prefeitura de São Paulo estacionado na calçada, funcionando como uma unidade móvel de atendimento. Ele possui uma cobertura lateral estendida, sob a qual estão dispostas cadeiras e uma pequena mesa, formando um espaço de acolhimento para o público.  Em frente e ao redor do veículo, várias pessoas aguardam atendimento ou conversam com profissionais, formando uma pequena fila. Algumas estão sentadas, enquanto outras permanecem em pé. A movimentação sugere a oferta de algum serviço público, possivelmente relacionado à saúde ou assistência social.  O local é uma esquina com faixas de pedestres bem demarcadas e calçadas amplas. Ao fundo, aparecem casas e prédios antigos, com fachadas desgastadas, muros grafitados e telhados de diferentes materiais. Uma árvore com flores rosadas se destaca no meio da paisagem, trazendo contraste com o concreto ao redor

“Vem testar!” “É de graça!” “É do SUS.”

São frases como essas que marcam, in loco, a abordagem do projeto PrEP na Rua, uma das iniciativas itinerantes da Coordenadoria de IST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) na cidade de São Paulo. A ação extramuros leva prevenção, informação, testagem e insumos diretamente aos territórios da cidade.

A profilaxia pré-exposição ao HIV, a PrEP, é uma forma de prevenção que consiste no uso diário ou sob demanda de medicamentos (comprimidos) por pessoas que não vivem com HIV, antes de uma possível exposição ao vírus. Com altíssima eficácia quando tomada corretamente, a PrEP bloqueia a infecção pelo HIV.

Fazer da prevenção um cuidado efetivo, minimizando barreiras — seja da distância, seja do preconceito — sempre foi o objetivo da estratégia móvel para acesso à profilaxia. Foi assim que, em 2021, em plena pandemia de Covid-19, a Prefeitura de São Paulo disponibilizou  a PrEP, em prática nas praças e avenidas da capital paulista.

De lá para cá, as unidades móveis – além do PrEP na Rua, a coordenadoria mobiliza o CTA da Cidade, um ônibus que atua na região central - percorrem diferentes regiões para ampliar o acesso à prevenção ao HIV, especialmente entre os segmentos mais vulneráveis da população. Semanalmente, equipes se revezam pelos territórios e, desde a criação do projeto, milhares de pessoas já foram atendidas.

A aposta no vínculo e na escuta é central para o sucesso da iniciativa. “A prevenção funciona melhor quando vem de quem conhece o território, a vivência no lugar, e quando isso vira relação de confiança”, resume a nutricionista Thaís de Melo, que atua na área de prevenção do Serviço de Atendimento Especializado em IST/Aids (SAE) Lapa. Segundo ela, a estratégia depende diretamente das iniciativas do território. “Quem mora e trabalha na região indica fluxos, vulnerabilidades e pontos de abordagem eficientes”, explica. 

As ações do PrEP na Rua são organizadas semanalmente, a partir do mapeamento de locais com maior circulação de pessoas mais vulnerabilizadas. “Há recorte de públicos: pessoas em situação de rua, moradores de abrigos, mulheres trans, travestis, profissionais do sexo, homens que fazem sexo com outros homens (HSGH), além da população geral. Os agentes de prevenção ajudam muito a mapear onde o público está, porque vivem ali”, detalha.

No fluxo da cidade
Em uma tarde de quinta-feira, o ponto escolhido para a ação foi a Praça do Samba, próxima ao Largo da Lapa. Com fluxo intenso no fim do dia e clima de pré-carnaval, o local reúne trabalhadores que retornam para casa, frequentadores de bares e pessoas em deslocamento pelo terminal da região.

Basta a estrutura chegar para o espaço se transformar. Mesas são montadas, materiais organizados e, rapidamente, os pedestres se aproximam. O primeiro passo é o acolhimento e o preenchimento de um breve questionário de saúde, seguido da oferta de testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites.

“A gente escolheu ficar aqui para sentir como seria essa acolhida, já aproveitando o clima do carnaval, que também é um período estratégico de prevenção”, conta Thaís.

Educação entre pares: prevenção “mão na mão”
Parte essencial da estratégia do PrEP na Rua é a atuação de educadores de pares e agentes de prevenção, pessoas que já circulavam no território antes mesmo de integrarem a estrutura formal do SUS.

É o caso de Alessandra de Araújo, 49 anos, educadora de pares há quatro. “Trabalhei muitos anos na prostituição e, conversando entre as meninas, a gente percebia que não tinha muita acessibilidade à prevenção. Além disso, existia muita restrição de ocupar os espaços por conta do preconceito”, revela.

Ela conta que a experiência prévia no território e na condição de muitos de seus pares facilitou o diálogo. “Eu fui convidada para trabalhar no SAE Lapa justamente pela facilidade de conversar, de levar informação. Falar de IST, de prevenção combinada, do uso de preservativos, gel e da PrEP”, explica.

Segundo Alessandra, a abordagem, é direta, próxima e construída com o tempo. “Leva um tempo até conseguir acessar os locais e criar intimidade, mas depois que consegue, as pessoas passam a procurar, querem orientação. A aceitação do projeto PrEP na Rua hoje é muito grande”, relata. “No início, falar em ‘profilaxia pré-exposição’ não funcionava, mas quando eu falava ‘anti-HIV’, as meninas se interessavam mais, e com o tempo elas foram aderindo. Hoje, tanto na Lapa de Baixo quanto na Barra Funda, a adesão das mulheres trans e travestis à PrEP é alta.”

Cuidado que facilita a vida
Entre as pessoas atendidas na ação estava G.M., 42 anos, moradora de Sapopemba, na zona leste. Ela conta que aproveita sempre que encontra a equipe no território. “Facilita muito a vida da gente; aqui fazemos o exame, pegamos preservativo, já vim sete vezes e essa é a terceira PrEP”.

Líder de limpeza pós-obra com uma rotina puxada, G.M. valoriza a possibilidade de acesso serviços fora da unidade de saúde. Casada, mãe e avó, ela diz que a busca pela profilaxia é uma forma de autocuidado, na medida em que o marido “não se cuida”. 

Estratégia extramuros 
Durante as ações do PrEP na Rua, são ofertados testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites B e C, além de preservativos internos e externos e gel lubrificante. O resultado do teste fica pronto em cerca de 20 minutos. Caso o resultado para HIV seja negativo, a pessoa já recebe orientação para iniciar a PrEP, medicamento de uso diário que previne a infecção pelo HIV.

“Se a pessoa não vive com HIV e testa negativo, ela tem o direito de tomar a PrEP. Se houver uma exposição sexual, já estará protegida”, explica Marcia Marci, consultora de prevenção da Coordenadoria de IST/Aids da SMS.

O serviço itinerante também orienta para a PEP — profilaxia pós-exposição —, indicada em situações de risco ocorridas nas últimas 72 horas, como sexo sem preservativo ou em caso de rompimento da camisinha.

Para Marcia, o diferencial do projeto está na forma como ele dialoga com os territórios. “A prevenção na periferia e nos contextos de maior vulnerabilidade precisa passar por linguagem, cultura e pertencimento. É prevenção pensada com a quebrada, não para a quebrada”, diz.

Além das praças e ruas, o trabalho envolve também rodas de conversa, ações em equipamentos de saúde, festas, coletivos culturais e espaços onde a pauta da prevenção circula de forma natural. “A cultura é uma via potente para quebrar tabus, acessar públicos e criar diálogo”, destaca.

Mais do que levar insumos, o PrEP na Rua aposta na construção de vínculos duradouros. “É um trabalho de ponte: entender os mecanismos institucionais e traduzir isso em estratégias que façam sentido no território”, conclui a profissional de saúde de 36 anos, que também já sentiu na pele os desafios e preconceitos de quem vive em vulnerabilidade.

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