Secretaria Municipal da Saúde

Terça-feira, 23 de Junho de 2026 | Horário: 11:22
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Hospital Municipal Infantil Menino Jesus realiza cerca de 300 cirurgias de fissura labiopalatina em 2025

Mais de 7 mil consultas foram feitas no ano passado na instituição, que recebe encaminhamento pelo programa Mãe Paulistana da Prefeitura de São Paulo
A imagem mostra um garoto posando para a câmera em um ambiente bem iluminado. A pessoa está enquadrada do peito para cima, olhando diretamente para a lente e exibindo um sorriso suave e acolhedor. Ele tem cabelos curtos, aparados nas laterais, tem uma cicatriz na boca que é fruto da fissura labiopalatina, e veste uma camiseta azul de manga curta com gola escura. A expressão transmite tranquilidade, simpatia e confiança. Ao fundo, desfocado, é possível observar uma área externa urbana, com árvores, veículos estacionados e elementos da paisagem da rua.

Davi Cândido Ferreira faz tratamento há quase 10 anos no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (Acervo/SMS)

Nesta quarta-feira (24), Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) destaca a importância do tratamento precoce desta malformação congênita. Referência no atendimento integral para pacientes que nascem com a condição, o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (HMIMJ), administrado pelo Instituto de Responsabilidade Social Sírio Libanês (IRSSL), realizou, em 2025, um total de 7 mil consultas ambulatoriais multidisciplinares e 296 cirurgias.

Por meio do programa Mãe Paulistana, da Prefeitura de São Paulo, as mães que fazem o acompanhamento na rede municipal de saúde são encaminhadas diretamente para o HMIMJ, onde o bebê será avaliado em consulta e receberá orientações sobre os cuidados com amamentação e higiene bucal. O primeiro atendimento tem previsão de ocorrer nos primeiros 30 dias de vida do recém-nascido.

A fissura ou fenda labiopalatina, que antigamente era conhecida como lábio leporino, é uma malformação congênita do lábio e/ou do palato (céu da boca) que ocorre ao longo do desenvolvimento do embrião durante a gestação. A condição pode ser diagnosticada por meio do ultrassom morfológico, durante o pré-natal, ou logo após o nascimento.

“Vários fatores podem causar a fenda palatina, como predisposição genética, em que um parente apresenta essa condição; uso de alguns medicamentos como, por exemplo, antiepiléticos; hábitos nocivos como o fumo e o álcool; e também desnutrição como a deficiência de ácido fólico”, explica o cirurgião plástico, Álvaro Júlio de Andrade Sá, que integra a equipe do Hospital Menino Jesus.

As principais complicações da condição são dificuldades na alimentação, alterações na arcada dentária, comprometimento do crescimento facial, prejuízo no desenvolvimento da fala e da audição, problemas nas vias aéreas, além de questões psicológicas.

Atendimento é multiprofissional
Por envolver tantos sistemas do corpo, o tratamento é realizado por uma equipe multidisciplinar composta por cirurgiões plásticos, otorrinolaringologistas, pediatras, dentistas, fonoaudiólogos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais. Essa equipe vai planejar uma linha de cuidado individualizada de acordo com as necessidades de cada criança, já que os procedimentos são feitos de acordo com a faixa etária.

A cirurgia é fundamental para reparar a anatomia do lábio e do palato e restaurar funções vitais como respiração, deglutição e alimentação, além de permitir o desenvolvimento da fala. “A palatoplastia, que é a cirurgia para o fechamento do palato, deve ser realizada até os dois anos de idade para que a criança aprenda a falar corretamente. Já a cirurgia na gengiva, chamada de enxerto ósseo alveolar, precisa ser feita na pré-adolescência”, informa Sá.

Segundo o médico, como a fenda palatina pode atingir três partes do rosto - gengiva, palato (duro e mole), lábio e nariz -, o número de cirurgias vai depender da gravidade da fenda de cada paciente, que varia de simples à complexa.

“A jornada é longa, mas a boa notícia é que as crianças com fissura labiopalatina podem ter uma vida normal, desde que o tratamento seja feito adequadamente. A diferença é que essas crianças vão ter uma família a mais, que é a equipe de profissionais que vai acompanhá-las durante o seu crescimento”, diz o médico.

Super-herói
O pequeno Davi, de 10 anos, nasceu com fenda labiopalatina bilateral completa e faz acompanhamento com os diversos especialistas do Menino Jesus desde bebê. “Hoje eu falo melhor e tenho mais facilidade para me alimentar. As outras crianças já falaram sobre a minha marca no lábio, mas eu gosto dela. E depois das cirurgias, eu olho no espelho e me sinto mais bonito”, conta.

O garoto já passou por quatro cirurgias e a próxima, de enxerto ósseo alveolar, está marcada para agosto. “O Davi é um super-herói”, brinca o pai, José Cândido Ferreira, que elogia o suporte recebido no hospital. “O atendimento é excelente. Só tenho elogios”, diz, acrescentando que “é preciso ter paciência, porque o tratamento é longo e feito por etapas.”

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