Secretaria Municipal da Saúde
Hospital Municipal Infantil Menino Jesus realiza cerca de 300 cirurgias de fissura labiopalatina em 2025

Davi Cândido Ferreira faz tratamento há quase 10 anos no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (Acervo/SMS)
Nesta quarta-feira (24), Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) destaca a importância do tratamento precoce desta malformação congênita. Referência no atendimento integral para pacientes que nascem com a condição, o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus (HMIMJ), administrado pelo Instituto de Responsabilidade Social Sírio Libanês (IRSSL), realizou, em 2025, um total de 7 mil consultas ambulatoriais multidisciplinares e 296 cirurgias.
Por meio do programa Mãe Paulistana, da Prefeitura de São Paulo, as mães que fazem o acompanhamento na rede municipal de saúde são encaminhadas diretamente para o HMIMJ, onde o bebê será avaliado em consulta e receberá orientações sobre os cuidados com amamentação e higiene bucal. O primeiro atendimento tem previsão de ocorrer nos primeiros 30 dias de vida do recém-nascido.
A fissura ou fenda labiopalatina, que antigamente era conhecida como lábio leporino, é uma malformação congênita do lábio e/ou do palato (céu da boca) que ocorre ao longo do desenvolvimento do embrião durante a gestação. A condição pode ser diagnosticada por meio do ultrassom morfológico, durante o pré-natal, ou logo após o nascimento.
“Vários fatores podem causar a fenda palatina, como predisposição genética, em que um parente apresenta essa condição; uso de alguns medicamentos como, por exemplo, antiepiléticos; hábitos nocivos como o fumo e o álcool; e também desnutrição como a deficiência de ácido fólico”, explica o cirurgião plástico, Álvaro Júlio de Andrade Sá, que integra a equipe do Hospital Menino Jesus.
As principais complicações da condição são dificuldades na alimentação, alterações na arcada dentária, comprometimento do crescimento facial, prejuízo no desenvolvimento da fala e da audição, problemas nas vias aéreas, além de questões psicológicas.
Atendimento é multiprofissional
Por envolver tantos sistemas do corpo, o tratamento é realizado por uma equipe multidisciplinar composta por cirurgiões plásticos, otorrinolaringologistas, pediatras, dentistas, fonoaudiólogos, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais. Essa equipe vai planejar uma linha de cuidado individualizada de acordo com as necessidades de cada criança, já que os procedimentos são feitos de acordo com a faixa etária.
A cirurgia é fundamental para reparar a anatomia do lábio e do palato e restaurar funções vitais como respiração, deglutição e alimentação, além de permitir o desenvolvimento da fala. “A palatoplastia, que é a cirurgia para o fechamento do palato, deve ser realizada até os dois anos de idade para que a criança aprenda a falar corretamente. Já a cirurgia na gengiva, chamada de enxerto ósseo alveolar, precisa ser feita na pré-adolescência”, informa Sá.
Segundo o médico, como a fenda palatina pode atingir três partes do rosto - gengiva, palato (duro e mole), lábio e nariz -, o número de cirurgias vai depender da gravidade da fenda de cada paciente, que varia de simples à complexa.
“A jornada é longa, mas a boa notícia é que as crianças com fissura labiopalatina podem ter uma vida normal, desde que o tratamento seja feito adequadamente. A diferença é que essas crianças vão ter uma família a mais, que é a equipe de profissionais que vai acompanhá-las durante o seu crescimento”, diz o médico.
Super-herói
O pequeno Davi, de 10 anos, nasceu com fenda labiopalatina bilateral completa e faz acompanhamento com os diversos especialistas do Menino Jesus desde bebê. “Hoje eu falo melhor e tenho mais facilidade para me alimentar. As outras crianças já falaram sobre a minha marca no lábio, mas eu gosto dela. E depois das cirurgias, eu olho no espelho e me sinto mais bonito”, conta.
O garoto já passou por quatro cirurgias e a próxima, de enxerto ósseo alveolar, está marcada para agosto. “O Davi é um super-herói”, brinca o pai, José Cândido Ferreira, que elogia o suporte recebido no hospital. “O atendimento é excelente. Só tenho elogios”, diz, acrescentando que “é preciso ter paciência, porque o tratamento é longo e feito por etapas.”
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