Do samba ao eletrônico, do sertanejo ao K-pop, do reggaeton ao ijexá — e até bloco exclusivo para pets. Em 2026, o Carnaval de Rua de São Paulo reúne quase 100 estilos musicais diferentes, segundo dados dos blocos inscritos, e confirma a diversidade como marca registrada da festa. Veja aqui a programação completa dos blocos.
Na cidade que realiza o maior Carnaval do Brasil — com recorde de 627 blocos, expectativa de 16,5 milhões de foliões, impacto estimado de R$ 3,4 bilhões na economia e cerca de 50 mil empregos gerados — tradição e novidade caminham juntas. Samba, axé e marchinhas dividem espaço com reggae, rock, funk, sertanejo, rap, hip hop, forró, frevo, afro, música latina, eletrônica e manifestações como música boliviana, coreana e folclore japonês.
Nos megablocos do Ibirapuera, o sertanejo arrasta multidões com Michel Teló, Gustavo Mioto e Lauana Prado. O rock aparece no Bloco 89, com Supla, no Bloco Emo, no Se Fui Triste Não Me Lembro e no Ritaleena, em homenagem a Rita Lee. O Bixiga vibra ao som latino do ¡SÚBETE! e do México Pra Baixo. Já o Vou de Táxi aposta na nostalgia dos anos 1990 e 2000, misturando axé, pop e clássicos de Angélica, Xuxa e Mamonas Assassinas.
À frente do Se Fui Triste Não Me Lembro, Di Ferrero resume o espírito da cidade. “Eu fiquei tão feliz o ano passado, não esperava que teria tanta repercussão assim, e foi. Então agora tem que ser todo ano. Todo ano eu tenho que estar aqui nesse Carnaval, na minha casa, em São Paulo”, afirma.
“A expectativa desse ano é maior ainda. Tem um show maior, com mais versões. Acho que eu já peguei mais a manha do que é esse bloco e do que ele me permite fazer. Estou felizão.”
Para a médica Ana Paula Panariello, 32 anos, essa pluralidade se reflete no público. “O Carnaval de São Paulo é muito diverso e todo mundo se sente representado. Todo mundo consegue ser quem realmente é, ser muito feliz e aproveitar.”
Moradora da Bela Vista, a administradora Renata Finotti, 50, concorda. “Devia ser assim todo dia”, diz. Ela descobriu o bloco pelas redes sociais: “Fiquei sabendo pelo Instagram. Segui um bloquinho no domingo passado, que já indicou este, e acabei vindo também.”
No bloco Solteiro Não Trai, com Gustavo Mioto, o carioca Gustavo Lima de Oliveira, 34 anos, aprovou a experiência paulistana. “É a minha primeira vez aqui e amei. Não tem Carnaval melhor que o de São Paulo. No Rio tem muito assalto e aqui não. Aqui você pode curtir o Carnaval sem se preocupar com assalto.”
O executivo comercial João Rocha, 21, também destaca a organização. “Está tudo muito bem organizado, estou gostando bastante. A estrutura do Parque Ibirapuera é muito grande, está muito gostoso.” Para ele, o diferencial é a inclusão: “O Carnaval de São Paulo é muito mais inclusivo. A gente consegue pegar desde o vovô que gosta de rock ao jovem que gosta de funk, a mulher que gosta de sertanejo.”
Tem até bloco para cachorro
Em Indianópolis, o Blocão do Toto & Ruby Fofa mostra que a diversidade vai além da música. Com palco, concurso de fantasias — que premia os pets com diária em pet shop, voucher de R$ 500 e ensaio fotográfico — e abadá para humanos, o evento reúne famílias inteiras.
“A gente viu que as pessoas tinham cachorro e não passavam de nenhum bloco. Aí o cachorro era atropelado, pisado. Então a gente bolou um bloco”, conta Marco Antônio Sarnelli Vieira Marinho. “O cãozinho hoje faz parte da família. Então São Paulo é realmente pet-friendly.”
A pet sitter Stella aprovou. “Achei uma estrutura boa, tranquila e sossegada para os cachorros. E principalmente pela harmonia que está acontecendo entre os cachorros. Eu gostei muito.”
K-pop cai na folia
A designer Isabelly Lopes, 21 anos, foi ao Ibirapuera para ver o grupo NMIXX, que se apresentou com Pabllo Vittar. “A diversidade do Carnaval de São Paulo é ótima. Tem que ter bloquinho de K-pop, funk, de tudo. Isso é Carnaval.”
A criadora de conteúdo Caroline Liego Gushomoto, 29, também celebrou o encontro. “Eu fiquei chocada. Eu não acredito que a Pabllo conseguiu. Eu não fazia ideia que um girl group poderia vir no Carnaval.”
Nos blocos de bairro, a diversidade aparece no perfil do público. Giovana Oliveira Telles, 29 anos, curtiu a folia com a filha Maria Flor, de dois anos e meio. “Estou achando maravilhoso, as pessoas são super receptivas. Todo mundo olha pra ela, cuida dela, dá espaço pra gente.” E resume: “São Paulo é uma cidade muito multicultural. Então é legal a gente ter carnaval pra todo mundo mesmo.”
Estrangeiros também se encantam. O japonês Hiro elogiou o acolhimento: “É tão bonito, legal... a comida é boa. E as pessoas falam comigo sempre, tão facilmente e comunicativas.”
A franco-brasileira Livia Melzi, 41 anos, que veio da França com o marido e o filho, destacou a estrutura. “Nunca tinha passado o Carnaval em São Paulo. Estou muito impressionada com o cuidado e a atenção. A gente está fazendo um Carnaval em família, estou muito feliz.” Para ela, a diversidade é essencial: “Tem gente do mundo inteiro em São Paulo, e é superimportante poder contemplar todos e que todos possam se divertir.”