Audiovisual cresce 176% em dez anos em São Paulo e Prefeitura amplia apoio a empresas e profissionais
O mercado audiovisual vem ganhando espaço entre os empreendedores de São Paulo — e a Prefeitura tem ampliado as ações para acompanhar e estimular esse movimento. Em dez anos, o número anual de novos CNPJs no segmento cresceu 176% na capital, passando de 2.502, em 2015, para 6.911, em 2025. Atualmente, são 39.584 empresas ativas no setor, das quais 18.301 são Microempreendedores Individuais (MEIs), segundo dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) consolidados pelo Data Sampa, plataforma de dados da Prefeitura.
O crescimento mais recente também chama atenção: os novos registros aumentaram 18,3% em 2024 e outros 13,4% em 2025.
É nesse cenário que a Prefeitura mantém uma política que vai além do apoio financeiro direto, com ações voltadas à formação, ao trabalho, à produção, à circulação e ao acesso à cultura. O objetivo é fortalecer toda a cadeia audiovisual da cidade, que reúne produtoras de cinema, séries e conteúdo digital, distribuidoras, agências, estúdios, empresas de dublagem e mixagem sonora e negócios de tecnologia ligados ao setor.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart, o avanço acompanha mudanças no consumo e na produção de conteúdo. “Este crescimento pode ser atribuído à valorização dos vídeos como ferramenta de comunicação, forma de expressão mais inclusiva e mais demanda pelos serviços nos streamings e redes sociais. O cenário do cinema nacional, que vem se destacando em premiações globais, também estimula mais empreendedores a verem neste segmento da economia criativa uma forma de unir tecnologia, cultura e renda”, afirma.
Por meio da Spcine, empresa pública de fomento ao cinema e ao audiovisual vinculada à Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, e da ADE SAMPA, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, o município atua em diferentes pontos da cadeia: da formação e aceleração de empresas à produção e distribuição de filmes, passando pela atração de grandes filmagens, pela realização de eventos e pela ampliação do acesso da população ao cinema.
“Democratizar o acesso à cultura é uma das nossas missões na Secretaria de Cultura e Economia Criativa. O Amplifica Cine veio para ampliar o acesso e trazer representatividade para o nosso audiovisual, cada vez mais presente e atuante no mundo. Para nós é muito importante apoiar toda a cadeia de trabalho e fomentar o empreendedorismo, das minorias e comunidades periféricas”, destaca o secretário de Cultura e Economia Criativa, Totó Parente.
Aporte de financeiro
Uma das principais iniciativas voltadas diretamente aos empreendedores é o Amplifica Cine, que chega à quinta edição e está com inscrições abertas até 23 de agosto. As inscrições podem ser feitas pelo site. O programa oferece aporte de R$ 52 mil por empresa selecionada, além de mentorias, capacitação e acesso a eventos nacionais e internacionais. Podem participar produtoras de cinema, séries, conteúdo digital, podcasts e animação, além de distribuidoras, agências e empresas de tecnologia e dados voltadas ao audiovisual. Nesta edição, serão beneficiados até 25 empreendedores.
A iniciativa prioriza negócios da periferia e de minorias e já ajudou a impulsionar empresas e projetos do setor. Um dos exemplos é o canal Histórias de Ter.A.Pia, que reúne mais de 1,5 milhão de seguidores no Instagram e transformou histórias do cotidiano em conteúdo audiovisual. “A proposta é transformar narrativas pessoais em produtos audiovisuais de impacto social e cultural”, explica Lucas da Silva Galdino, idealizador do projeto, que atualmente também presta serviços de criação e produção para marcas e instituições.
Outro exemplo é o Instituto AfroRec, dedicado à formação e empregabilidade de pessoas negras no audiovisual. Fundado em 2019, o instituto já impactou cerca de 10 mil pessoas em todo o país e mantém uma grade de 17 cursos e oficinas, incluindo experiências práticas em sets de filmagem reais. Já a Monomito Filmes, produtora voltada à democratização do acesso à produção audiovisual profissional em periferias e territórios de favela, dobrou o faturamento após ampliar parcerias estratégicas. Em 2023, a empresa se uniu à Haze Filmes e contratou mais de 200 pessoas apenas no último ano.
No campo do financiamento, a Spcine mantém editais destinados a diferentes etapas da cadeia audiovisual. Mais de 600 obras já foram contempladas, com mais de R$ 90 milhões investidos por meio dos editais. As linhas de fomento abrangem editais próprios da Spcine, a Lei Paulo Gustavo e a Política Nacional Aldir Blanc. Veja aqui os editais.
Formação profissional
A estratégia de fortalecimento do setor também passa pela formação de novos profissionais. As ações de Formação Spcine já capacitaram mais de 41 mil pessoas em cerca de 800 atividades, entre masterclasses, workshops, cursos e programas de aprimoramento profissional. Entre as iniciativas está o Formação Spcine Convida, com atividades gratuitas presenciais e on-line, além do Programa de Aprimoramento Profissional para o Setor Audiovisual Paulistano e do próprio Amplifica Cine. Uma formação em parceria com o m-v-f- e o YouTube está prevista para 17 de agosto. Veja mais aqui.
Outra frente é a Bolsa Trabalho - Audiovisual, parceria com o Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias. A iniciativa atende anualmente de 100 a 120 jovens de 17 a 24 anos em situação de vulnerabilidade social e econômica, com formação técnica e sociocultural. Os bolsistas recebem benefício mensal de R$ 1.864,15. O Instituto Criar também mantém um Estúdio-Escola estruturado e equipado como uma produtora profissional, com 16 oficinas e espaços como estúdios, ilhas de edição, laboratório digital, central de equipamentos de iluminação e câmera, salas de produção, figurino, maquiagem e cabelo, entre outros.
Cidade como cenário
A Prefeitura também trabalha para fazer de São Paulo um grande cenário para produções nacionais e internacionais. A São Paulo Film Commission, que completa dez anos de atividade ininterrupta em 2026, centraliza a articulação para autorizações de filmagens em espaços públicos municipais e coordena a negociação com os órgãos envolvidos na liberação de ruas, parques e outros locais. A atividade movimenta a economia, o turismo e o comércio local.
Outra ferramenta é o Cash Rebate, programa de atração de filmagens à cidade e ao Estado de São Paulo que prevê o reembolso de um percentual de despesas elegíveis realizadas na região por produções selecionadas. A política busca atrair investimentos, gerar empregos locais, estimular negócios e ampliar a presença de São Paulo no mercado audiovisual internacional. Entre as obras relacionadas ao programa estão Beleza Fatal (HBO Max), O Negociador (Prime Video), Sutura (Prime Video), Amigos Sem Compromisso (HBO Max), Silvio (Moonshot Pictures) e Marcelo Marmelo Martelo (Paramount+).
Cinema acessível
Maior rede pública de cinema do mundo, o Circuito Spcine, rede de cinemas da Prefeitura de São Paulo, incentiva a cadeia do audiovisual ao mesmo tempo em que democratiza o acesso à cultura. O Circuito Spcine, rede de cinemas da Prefeitura com 32 salas instaladas principalmente em CEUs e Centros Culturais, já ultrapassou 2 milhões de espectadores desde sua criação, em 2016. Com ingressos gratuitos ou a preços populares, a rede oferece programação nacional e internacional semanal e recursos de acessibilidade em todas as salas, como audiodescrição, janela com intérprete de Libras e legenda oculta.
A programação inclui ainda sessões pensadas para diferentes públicos, como o Circuitinho, voltado a famílias com crianças pequenas; o Cine Novelo, com exibições em ambiente mais tranquilo; o Spcine 60+, direcionado ao público idoso; e a Sessão Azul, com ambiente adaptado para pessoas no espectro autista.
Já a Spcine Play democratiza o acesso à produção audiovisual por meio de uma plataforma pública de streaming, com filmes e séries gratuitos disponíveis pelo site, aplicativo e Smart TVs em todo o Brasil.
Na ponta da formação de público e da produção cultural nos territórios, o Cineclube Spcine promove exibições gratuitas seguidas de debates e ações de formação de agentes locais. Em mais de 300 sessões com debates, já reuniu mais de 7.600 espectadores. Veja aqui a programação.
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