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Criação: 07/02/26 18:37

Carnaval sustentável: ação no Ibirapuera gera renda a catadores de material reciclável

Agência SampaNews

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Em um dia marcado pela festa dos foliões que acompanham os blocos de Ivete Sangalo e Alceu Valença no Ibirapuera, na abertura do Carnaval de Rua 2026, um outro bloco também entra em ação de forma silenciosa e essencial para a cidade. Ao longo do dia, 200 catadores retiram toneladas de material reciclável do caminho dos megablocos e as levam até uma central de triagem montada pela Prefeitura de São Paulo no local, onde o material coletado pode gerar até R$ 250 por dia em remuneração direta.

A ação funciona por meio de um sistema estruturado de recebimento, pesagem, triagem e pagamento dos materiais recicláveis coletados em cada um dos oito dias de festa, promovendo limpeza urbana, destinação correta de resíduos e inclusão social.

Ao chegar à central de triagem, os resíduos passam por pesagem imediata, com registro da quantidade entregue. Com base nesse volume, o valor correspondente já é calculado e liberado para pagamento.

Existem duas metas de coleta estabelecidas. A cada 15 quilos de materiais recicláveis, o catador recebe R$ 150. Com a entrega adicional de mais 5 quilos, recebe R$ 100 extras, podendo alcançar uma média diária de até R$ 250, conforme a quantidade coletada.

Entre os catadores que participam da ação está Gabriel Alexandre Panula, 37 anos, morador da Aclimação, na região central de São Paulo, que trabalha exclusivamente com reciclagem. Para ele, a estrutura montada pela Prefeitura nos megablocos faz diferença tanto para a cidade quanto para quem vive do recolhimento de resíduos. “Ajuda a limpar a cidade e, ao mesmo tempo, a gente ganha um dinheiro”, resume. Segundo Gabriel, sem a base instalada no Carnaval, o material teria de ser levado para casa e vendido depois, com rendimento menor. “Aqui a gente recebe melhor”, afirma. A expectativa para o dia é alcançar a meta de R$ 200, valor que, segundo ele, tem destino certo. “Esse dinheiro faz diferença. É para comprar comida.”

Após a pesagem e o registro, os materiais seguem para a triagem inicial, realizada no próprio espaço, onde os catadores fazem a separação por tipo de resíduo. Em seguida, os recicláveis são encaminhados para uma central de triagem da cooperativa, garantindo a destinação correta e o reaproveitamento dos materiais.

A estrutura montada para a iniciativa conta com área de recebimento e pesagem, setor de triagem e acondicionamento, além de caçambas específicas para armazenamento temporário. Os resíduos separados são posteriormente transportados por caminhões e caçambas da operação de varrição, responsáveis pela retirada e destinação final adequada.

Entre os catadores está Caíque Vinicius, 21 anos, morador da Cidade Tiradentes, na Zona Leste, que trabalha diariamente com reciclagem e vê no Carnaval mais uma oportunidade de garantir o sustento da família. “É o meu emprego. Não só aqui, mas também na cooperativa. É de onde eu tiro o sustento para dentro de casa”, afirma.

Também participa da ação Raimunda Moreira, 64 anos, moradora do Grajaú, na Zona Sul, que encontrou na reciclagem uma nova fonte de renda após deixar outros trabalhos. “Hoje é a reciclagem que está sustentando a gente. É com esse dinheiro que eu compro as coisas para dentro de casa”, conta.

Com cerca de cinco anos de atuação na área, Raimunda destaca o impacto ambiental da iniciativa, especialmente durante grandes eventos. “Se todo mundo reciclasse e separasse direitinho, não tinha tanta enchente. A reciclagem ajuda a não entupir bueiro, ajuda a cidade”, afirma.

O espaço também oferece tesouraria para pagamento, copa de apoio, depósito para guarda de pertences, tendas externas para triagem complementar — voltadas principalmente à separação mais detalhada de plásticos e alumínio —, além de banheiros, água disponível e três lanches diários para os participantes. “A expectativa é boa. A gente vem, trabalha, ganha 200, 250 reais. Para quem precisa, faz muita diferença”, diz Raimunda.

Além de estimular a destinação correta dos resíduos gerados desde o início do Carnaval, a iniciativa contribui diretamente para a limpeza urbana, reduz impactos ambientais e amplia as oportunidades de renda para trabalhadores da cadeia da reciclagem. A ação é realizada em parceria com a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT), com patrocínio da Ambev e da EcoUrbis.

Segundo o secretário municipal das Subprefeituras, Fabrício Cobra, a iniciativa reforça o papel social e ambiental do Carnaval na cidade. “Essa ação alia sustentabilidade, limpeza urbana e geração de renda, valorizando o trabalho dos catadores e contribuindo para um Carnaval mais consciente, com impacto positivo tanto para a cidade quanto para as pessoas envolvidas.”

De acordo com o presidente da ANCAT, Roberto Rocha, a operação evidencia a importância desses profissionais para o funcionamento da cidade. “O trabalho dos catadores e catadoras é um serviço essencial em todos os períodos do ano, e durante o Carnaval esse papel se torna ainda mais visível. Essa operação demonstra organização, eficiência e impacto ambiental positivo, fortalecendo um modelo que une gestão sustentável de resíduos e inclusão produtiva.”

Para os catadores, o impacto vai além do aspecto financeiro. “A Prefeitura dá essa oportunidade para a gente trabalhar e, ao mesmo tempo, fazer o bem para a população”, resume Raimunda. “Carnaval com dinheiro é a melhor coisa. A gente trabalha e volta para casa com dignidade.”


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