Do Centro Histórico à Zona Sul, da Faria Lima à Zona Norte, o Carnaval de Rua 2026 confirma a capilaridade da festa e foliões falam da melhora na logística, na circulação e na presença de policiamento no Carnaval de Rua de São Paulo deste ano. Moradores de bairros como Santo Amaro, Limão, Freguesia do Ó e Lapa dividiram espaço com visitantes do ABC e da Grande São Paulo, em blocos que reuniram famílias, jovens e foliões veteranos.
O bancário mineiro João Francisco Pimenta Junior, de 41 anos, de São Sebastião do Paraíso (MG), participa pela primeira vez do Carnaval de Rua da capital e não economiza elogios e comparações. “Já passei no Rio, já passei em Minas, já passei em Recife, e Carnaval igual o de São Paulo não tem igual. São Paulo tem tudo, São Paulo é do mundo, São Paulo é universal”, afirma. Fã declarado de Caetano Veloso, escolheu sem hesitar o bloco Tarado Ni Você, que desfila no Centro, em homenagem ao artista: “Caetano é mil, Caetano é dez. Vamos caetanizar”. Ele diz que se sente seguro em meio à multidão que seguiu o bloco — “estou com a minha doleira, mas estou seguro” — e resume o que a festa na cidade de São Paulo representa para ele: “Diversidade. Porque engloba todo mundo, é democrático”.
A presença reforçada de policiamento, a revista prévia em acessos estratégicos, a oferta de postos médicos, ambulâncias, pontos de hidratação e organização de ambulantes são aspectos mencionados de forma recorrente. A percepção predominante entre os foliões é de evolução estrutural em relação aos anos anteriores, com melhorias na delimitação de áreas, circulação e apoio ao público.
Moradora da Zona Oeste, a pesquisadora Thaisa Cipriano, 40 anos, gosta de frequentar os blocos da região central. “O Carnaval foi feito para todas as pessoas, e São Paulo está crescendo muito. Na Bahia, no Norte e no Nordeste, o Carnaval é muito comercial, as pessoas precisam pagar bem caro no abadá ou camarote para sair e, em São Paulo, não. O Carnaval de São Paulo é muito mais inclusivo e diverso justamente por esse motivo”, disse, lembrando que a festa no centro é estratégica para que as pessoas voltem a frequentar essa região e a vejam como segura.
Com atrações de alcance nacional e internacional e blocos tradicionais espalhados por diferentes regiões, a cidade distribui o fluxo de público e fortalece circuitos consolidados, como Ibirapuera, Faria Lima, Centro e bairros das Zonas Sul e Oeste. Para os foliões, a diversidade cultural e a infraestrutura crescente reafirmam São Paulo como um dos principais destinos do Carnaval brasileiro.
Moradora de Moema, na Zona Sul, a relações-públicas Natália Brancato, 36 anos, atravessou a cidade até a Mooca, na Zona Leste, para prestigiar a retomada de um bloco que fez parte da história de sua família há quatro décadas. “O meu pai tinha esse bloco há 40 anos e a gente descobriu que eles reativaram. A gente veio para prestigiar”, conta. Emocionada, ela descreve o reencontro como um resgate de memória e pertencimento. “Eu fiquei emocionada quando cheguei aqui. Reencontrar amigos, os filhos dos amigos, retomarem essa história e preservarem um bloco familiar é muito bonito de se ver.”
Mãe de Thales, de três anos, Natália afirma que quer transmitir essa vivência às próximas gerações. “A gente tem que honrar a nossa história. Não sei se ele vai gostar de Carnaval, mas que ele possa viver isso.” Frequentadora da folia paulistana há mais de uma década, ela defende a diversidade dos circuitos. “Tem para todos os gostos. De manhã fomos a um bloco infantil, agora estamos em um bloco familiar. O Carnaval é espaço para todo mundo.” Para ela, a presença de estrutura pública mesmo em blocos menores faz diferença. “Aqui tem prefeitura, guarda municipal, polícia, limpeza, ambulância. É importante preservar e oferecer segurança mínima para todos.” E conclui: “Eu não acho que São Paulo deve nada para ninguém. É ótimo curtir o bloco e depois voltar para a sua própria casa. Dormir na sua cama depois de um dia de folia não tem preço.”
Frequentadora assídua da folia paulistana, a fisioterapeuta Giovana Maluf Nunes, 26 anos, moradora do Ipiranga, participa do Carnaval de Rua há seis anos consecutivos e diz que percebeu melhoras na organização. “Mudou muito do ano passado para este ano. Tem mais polícia, a segurança melhorou, a questão de banheiro está mais organizada, tem muito mais banheiro. A entrada agora tem revista, está tudo mais controlado.” Animada, ela garante que seguirá no circuito até o fim da programação: “Vou estar aqui até acabar”.
A advogada Maria de Cássia Almeida, 56 anos, moradora de Santo Amaro, resume o sentimento de quem faz da festa um compromisso anual: “É o momento que eu mais curto na minha vida. Estou presente todos os anos e não troco”. Para ela, a estrutura está “super organizada e tranquila”.
Estrutura reforçada pela Prefeitura
A Prefeitura de São Paulo montou uma forte estrutura para fazer a melhor e maior festa do Brasil. A cidade conta com um efetivo de 6.400 agentes de segurança municipais atuando no Carnaval, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Além disso, são 482 câmeras do Smart Sampa e 23 drones para monitoramento durante todos os desfiles.
Nos blocos do Ibirapuera, a bancária Lidiane Soares da Silva, 45 anos, também da Zona Sul, destacou a segurança e o acesso. Já a professora Roberta Valeriano da Silva, 49 anos, que veio de São Caetano do Sul para sua primeira experiência no Carnaval de Rua da capital, afirmou ter encontrado “bastante policiamento e apoio aos foliões”. A distribuição de água e itens de proteção solar também foi percebida pelo público. A analista de sistemas Stephanie Arruda, 38 anos, relatou que utilizou o posto médico após um amigo passar mal e classificou o atendimento como “excelente”.
Delimitação de acesso, estrutura de saúde e policiamento
Na região da Faria Lima e no Centro, a percepção de organização se repetiu. O engenheiro civil José Guilherme de Lima, 28 anos, frequentador há seis anos, avaliou como positivos a delimitação de acesso, a proximidade do metrô, a presença de ambulâncias e o policiamento no trajeto até o bloco. A médica Maite de Paula Capuano, 27 anos, destacou que a circulação “está adequada” e menos claustrofóbica do que no ano anterior. Já Ana Paula Fernandes Figueiredo, 48 anos, que levou a filha de 13 anos, afirmou que a revista prévia na entrada contribui para inibir situações de risco e aumentar a sensação de segurança para famílias.
Além da estrutura, o clima de diversidade e convivência marcou os relatos. No bloco da cantora Luísa Sonza, em Santo Amaro, a atendente comercial Andreia Silva, 43 anos, moradora do mesmo bairro, afirmou frequentar os blocos há pelo menos oito anos e disse se sentir segura para aproveitar em família. No bloco Inimigos da HP, Márcia Mara, da Lapa, participou pela primeira vez sozinha e elogiou a vistoria na entrada e a organização geral. Para muitos, como o coordenador de marketing Carlos Amorim, 41 anos, a cada ano a estrutura “vem melhorando”, especialmente na organização dos ambulantes e no controle de acesso.
A atual gestão foi a primeira a criar uma política exclusiva de fomento aos blocos de Carnaval. Desde 2024, recursos municipais são destinados à realização da festa. Neste ano, 100 blocos serão contemplados com um total de R$ 2,5 milhões. O número de blocos confirmados é recorde: 627. A infraestrutura do Carnaval de Rua 2026 está dimensionada para atender integralmente a realização do maior Carnaval do Brasil, com operação integrada que envolve limpeza, segurança urbana, transporte, saúde, cultura, turismo e direitos humanos. Ao todo, são 58 mil agentes de segurança, 3,9 mil agentes de limpeza, além de equipes de trânsito e saúde mobilizadas para garantir o funcionamento da cidade durante a folia.