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Criação: 15/02/26 19:29

Crianças curtem blocos infantis e formam novos foliões em São Paulo

No Berço Elétrico e Gente Miúda, sombra, espaço e organização embalam a festa das famílias em meio ao maior Carnaval do Brasil

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Tem glitter no rosto, fantasia de super-herói, vestido de princesa rodando ao vento e uma certeza dita com a franqueza de quem tem 10 anos: “Eu estou achando muito legal, bem organizado e bem divertido.” Clara Bastos Humai, moradora de Santo Amaro, resume o clima do Bloco Berço Elétrico, um dos cortejos infantis que vem transformando o Carnaval de Rua de São Paulo em um programa cada vez mais familiar e desfila na Vila Mariana, Zona Sul. “As músicas são muito legais e o lugar é muito bom porque tem bastante sombra. Tem um monte de espaço, banheiro em todo lugar, é bem organizado”, completa, fazendo uma lista que qualquer adulto aprovaria.

Na cidade que realiza o maior Carnaval do Brasil — com recorde de 627 blocos, expectativa de 16,5 milhões de foliões, impacto estimado de R$ 3,4 bilhões na economia e cerca de 50 mil empregos gerados —, há espaço para todos os ritmos. Dos megablocos aos cortejos infantis, São Paulo mostra que a diversidade é sua marca registrada. E, no meio de tantos números grandiosos, são as frases simples das crianças que melhor traduzem a festa: organizada, divertida e feita para viver em família.

No meio da folia, a sensação é de leveza. Giulia Vieira, 8 anos, veio de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, para passar o Carnaval com a prima na capital e saiu encantada. “Estou achando ótimo. É um dos mais legais que já participei. Estou adorando o bloquinho, a música, a comida, tudo.”

Entre os pais, o alívio vira elogio. “O bloco está superorganizado, muito gostoso para as crianças. É o primeiro Carnaval do meu filho, e espero que ele se divirta bastante”, conta a publicitária Mariana Rocha, 33 anos, do Itaim Bibi. Alice Alcântara, 40 anos, moradora do Brooklin, levou a filha de 1 ano pela primeira vez e admite que chegou receosa. “Mas está cheio de criança, superseguro, foi fácil de estacionar, tem água em todos os cantos, lixeiras, estou impressionada, só coisas boas.” A chefe de cozinha Larissa Queiroz, 41 anos, de Moema, também se surpreendeu: “Eu achava que seria um bloco legal, mas está superando as minhas expectativas. Foi tudo muito bem organizado, o pessoal veio fantasiado, bonito, tem os ambulantes.”

O Berço Elétrico nasceu justamente desse desejo de adaptar a festa ao tamanho das crianças. “O Berço Elétrico surgiu de uma brincadeira. Meu filho tinha 11 meses e eu sou apaixonado pelo Carnaval. Queria ir para a avenida, mas veio o dilema: como levar uma criança tão pequena para a folia?”, relembra o organizador Diego Rios, 42 anos. A solução foi criativa: “Criei um bloquinho adaptado, coloquei rodinhas, um guarda-sol, e fomos para um bloquinho de rua. As pessoas começaram a filmar, tirar fotos, e essa brincadeira acabou viralizando.” Da experiência familiar nasceu um projeto maior. “Vi ali a oportunidade de criar um bloco para crianças que fosse organizado, com o mínimo de estrutura para atender famílias com crianças pequenas.” A estreia oficial foi em 2019 e, agora, o bloco completa sete anos. Neste fim de semana, a estimativa foi de 5 mil pessoas, segundo a PM.

Na Avenida Professor Alfonso Bovero, em Perdizes, o Bloquinho Gente Miúda transforma o asfalto em quintal de infância. Criado pela musicista e artista educadora Kel Figueiredo e pelo percussionista pernambucano Nenel do Recife, o cortejo mistura clássicos do Carnaval, canções infantis e músicas autorais em um repertório contagiante que convida pais e filhos a cantarem juntos. Desde 2016, o bloco reúne cerca de 10 mil foliões a cada desfile e, em 2026, celebra 10 anos de história. Mais do que um desfile, o Gente Miúda se define como um “movimento cheio de energia positiva”, que une educação e alegria em ruas, Sescs, escolas, bibliotecas e espaços culturais da capital e da Grande São Paulo.

Entre as famílias que estreiam na folia está a coordenadora de vendas Beatriz Leão, 31 anos, moradora de Pirituba, que levou a filha de dois anos para o primeiro bloco da vida. “Foi superlegal, as famílias estão sendo acolhidas e realmente é um ambiente próprio para as crianças se divertirem e brincarem”, afirma. Para ela, a organização também faz diferença. “Está tudo muito seguro e organizado”. 

A economista peruana Rocio Vasquez, 44 anos, veio de Portugal para curtir o Carnaval de São Paulo. “É a primeira vez que venho experimentar o Carnaval e estou adorando. Tenho um filho pequeno e ele está brincando muito. Está sendo tudo muito legal: a música está boa, há brinquedos, e está tudo tranquilo e seguro”, detalha.

Em meio a fantasias coloridas e batuques suaves, o Gente Miúda confirma que o Carnaval infantil paulistano cresce sem perder a delicadeza — e que há espaço para celebrar a festa no ritmo das famílias. Moradora do Butantã, a arquiteta Sofia Birolini, 25 anos, conta que foi pela primeira vez a um bloco infantil. “Estamos gostando bastante e o bloco está bem movimentado. Está bem tranquilo, praticamente só famílias e, além disso, a CET está nos arredores cuidando do trânsito”, disse.


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