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Criação: 16/08/26 21:46

Entre prédios, ruas, música e memória, Festival do Patrimônio celebra as muitas histórias de São Paulo

Evento reuniu shows, cortejos, exposições, cursos, oficinas e roteiros para aproximar paulistanos da história e da cultura de São Paulo
Agência SampaNews

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Com o Centro ocupado por música, cortejos, intervenções artísticas e atividades culturais, o último dia da 12ª edição do Festival do Patrimônio – São Paulo, Cada Olhar Uma História, neste domingo (16), celebrou a diversidade do patrimônio paulistano e mostrou que a história da cidade vai muito além de seus edifícios e monumentos. A programação também se espalhou por todas as regiões da capital, com roteiros guiados, cursos e oficinas, além da possibilidade de circulação pela cidade com o Domingão Tarifa Zero.

A proposta do Festival é levar moradores e visitantes a diferentes territórios da capital para conhecer e vivenciar histórias, edifícios, manifestações culturais, memórias e tradições que ajudam a contar a trajetória de São Paulo.

Na Avenida São João, no Centro, o público acompanhou apresentações musicais e cortejos animados e coloridos, que movimentaram a região ao longo do dia. Entre as atrações, esteve o show Rita Total, projeto da cantora Ana Cañas em homenagem à eterna rainha do rock brasileiro, Rita Lee, com o público cantando em coro os sucessos da artista. A programação também contou com apresentações de artistas como Zeca Baleiro e da banda Bixiga 70. Na Avenida Ipiranga, um guindaste com acrobatas chamou a atenção de quem passava, enquanto dois contêineres do Governo do Estado, do Museu Catavento e das Fábricas de Cultura, receberam visitantes.

“Festival do Patrimônio com o Centro ocupado, várias intervenções artísticas, balé, teatro, música, circo, literatura, monumentos históricos. É uma grande festa de celebração”, afirmou o secretário municipal de Cultura e Economia Criativa, Totó Parente. “Foi um sucesso total.”

Para ele, a programação mostra que o patrimônio de São Paulo também está nas pessoas e nas manifestações culturais que formam a essência da capital. “Uma cidade cheia de história, não só nos prédios e nos monumentos, mas nas pessoas que ajudaram a construí-la, que deram sua vida para esta cidade e continuam transformando São Paulo. Viva o patrimônio histórico e viva a cidade de São Paulo.”

Totó também destacou a abrangência da programação. “O Festival está na cidade inteira, com todos os museus gratuitos, incluindo o MASP, o Museu do Futebol, o Museu das Favelas, Museu da Língua Portuguesa, enfim, é uma festa da cultura e de valorização do patrimônio, tanto patrimônio material, como são nossos edifícios, quanto o patrimônio imaterial, como o samba, o circo, a nossa história, a construção do nosso passado.”

Edvaldo Jatobá, DJ de 48 anos, estava no público que acompanhava o show de Ana Cañas no Palco São João. “Eu gosto, acho interessante o trabalho dela. O Festival está bonito.”

Para o público, a programação também foi uma oportunidade de conhecer diferentes espaços e manifestações culturais da cidade. Ariana Fernandes, de 48 anos, trabalha com vendas, é moradora do Centro e participou pela primeira vez do Festival.

“Estou achando muito legal, estou gostando bastante dos eventos, tudo muito bom. Já passeei bastante, com certeza vou curtir até o final.”

Eliana Rufilo, de 49 anos, e Marina Fernandes, 22, foram da Zona Norte até o Centro para conhecer as estátuas da Turma da Mônica, em exposição por toda a cidade até o dia 24 de agosto, e aproveitaram para acompanhar a programação do Festival. “Está maravilhoso, uma experiência muito boa”, disse Eliana.

A cultura popular também ganhou espaço entre as atrações. Patrícia Ferreira, de 47 anos, integrante do grupo de maracatu Mucambos de Raiz Nagô, do Jabaquara, na Zona Sul, que se apresentou no Centro, acompanhou no Largo Paissandu a apresentação do grupo de congada e reinado Catupé de Santa Efigênia.

“A cultura é uma coisa necessária para o ser humano. Precisamos ter mais, sempre”, disse Patrícia. “É a primeira vez que vejo esse grupo, estou gostando muito. Isso é a nossa raiz, nossa cultura. É uma riqueza do nosso país, eu sempre fico encantada”, completou.

A acessibilidade também esteve presente na programação. Talita Soares, de 26 anos, é intérprete de Libras há cinco anos e trabalhou no show Rita Total. Para ela, garantir o acesso de pessoas surdas aos eventos culturais é fundamental.

“É muito legal ver toda essa galera assistindo aos eventos da Prefeitura. Às vezes encontramos surdos na multidão e é muito importante e emocionante proporcionar acesso a essas pessoas.”

Incentivo ao empreendedorismo

Na Praça da República, também no Centro, empreendedores dos programas da Prefeitura Observatório da Gastronomia e São Paulo Afroempreendedor participaram da programação e aproveitaram o movimento para divulgar e vender seus produtos.

Gisele Silva, de 44 anos, proprietária do Meu Favorito Food Truck há 10 anos e moradora de Santo Amaro, na Zona Sul, participou do Festival por meio do Observatório da Gastronomia. Para ela, o programa da Prefeitura ajuda a ampliar a visibilidade do negócio.

“Acho ótimo participar do Festival do Patrimônio pelo Observatório da Gastronomia. A Prefeitura nos oferece toda a estrutura, eletricidade, estão sempre nos orientando. O evento é ótimo”, afirmou.

O empreendedor Anderson Farias, 40 anos, morador da Casa Verde, na Zona Norte, participou pela primeira vez do Festival vendendo churrasco e lanches. Cozinheiro há 15 anos, ele integra o São Paulo Afroempreendedor e conseguiu, por meio do programa da Prefeitura, uma vaga e a estrutura necessária para participar do evento.

“Sempre que precisamos fazer uma renda extra a Prefeitura nos convida, através do São Paulo Afroempreendedor, para participar de eventos para vender nossos produtos. Me ajuda muito.”

Festival pelas regiões da cidade

Neste ano, além das atividades culturais, o Festival do Patrimônio abordou outras linguagens, como os esportes. Na Zona Sul, o Espaço de Cultura Calamari, em Cidade Ademar, recebeu o curso “Quadra é Território: mapas afetivos do basquete de rua”, que trouxe um olhar sobre as quadras do território como locais de encontro, memória e cultura.

Já na Zona Leste, o roteiro guiado “Vila Maria Zélia: cenário da memória paulista”, no Belenzinho, levou os participantes a investigar como o patrimônio tombado, que no passado funcionou como vila operária, recebeu novos usos e significados a partir do exercício visual e do registro audiovisual. O local faz parte de cenários de clipes, séries e novelas e passou a reunir novas percepções e memórias ao longo do tempo.

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