Prefeitura amplia acesso à moradia popular na região central com entrega de residencial com 296 apartamentos na Mooca
A Prefeitura de São Paulo inaugurou nesta terça-feira (7) um conjunto habitacional com 296 apartamentos localizado a poucos passos da estação Bresser-Mooca do Metrô. Viabilizado pelo Pode Entrar, o maior programa habitacional da história do município, o empreendimento recebeu investimento de R$ 59,2 milhões do Fundo Municipal de Habitação e reforça a estratégia da administração municipal de ampliar a oferta de moradia popular em áreas centrais e consolidadas da cidade.
Durante a entrega das chaves, o prefeito Ricardo Nunes destacou os investimentos da Prefeitura em habitação e a importância das parcerias para ampliar o acesso à moradia na cidade. “Estamos fazendo o maior programa habitacional da história da cidade. Hoje, mais 296 famílias recebem suas chaves aqui na Mooca, um local muito privilegiado, do lado do metrô, pertinho de escola, de UPA e de UBS”, disse o prefeito, lembrando que já foram investidos R$ 15,8 bilhões somente em habitação. “Sem nenhum centavo do Governo Federal, apenas com recursos da Prefeitura e parte em parceria com o Governo do Estado.”
De acordo com o prefeito, o reforço nos investimentos ocorreu graças à saúde financeira da Prefeitura. “A gente conseguiu fazer e estamos entregando as chaves, porque nós estruturamos as finanças da cidade. Fizemos aquilo que tinha que ser feito. Fechamos empresas, enxugamos a máquina, atraímos muitas empresas para virem para cidade de São Paulo. Isso nos possibilitou, mesmo reduzindo impostos, poder ter recursos para fazer o maior programa habitacional da história da cidade e realizar o sonho de milhares e milhares de pessoas”, explicou.
Com mais esta entrega, a Prefeitura ultrapassa a marca de 20,4 mil unidades habitacionais destinadas à população de baixa renda desde 2021, resultado da política habitacional conduzida pela Secretaria Municipal de Habitação (SEHAB) e pela Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB-SP). O Residencial Ururaí Mooca integra o conjunto de ações do Pode Entrar, principal iniciativa habitacional da história da cidade. Somente entre 2025 e 2026, a administração municipal já entregou mais de 12.500 moradias, distribuídas em 30 empreendimentos. Atualmente, a cidade contabiliza 40.304 novas unidades habitacionais em obras.
Estrutura completa na porta de casa
A localização é um dos principais diferenciais do residencial. Além da proximidade com a estação Bresser-Mooca e importantes corredores de transporte público, o empreendimento oferece às famílias acesso facilitado a equipamentos de educação, saúde, assistência social, áreas de lazer, comércio e serviços.
O condomínio foi construído na modalidade Entidades, que permite a associações e movimentos de moradia participarem do desenvolvimento dos empreendimentos em regime de cogestão, desde a organização da demanda até o acompanhamento da execução das obras, sob supervisão técnica da Prefeitura. No Residencial Ururaí, a parceria foi realizada com o Fórum de Cortiços e Sem Teto de São Paulo (FCST), entidade responsável pela organização das famílias beneficiárias.
O secretário municipal da Habitação, Diogo Soares, ressaltou que a casa própria representa mais do que moradia, oferecendo novas oportunidades às famílias contempladas pelo programa. “O Pode Entrar vem dando exemplo do que é parceria. E hoje a gente reconhece esse trabalho atendendo 296 famílias. Eu acredito que a habitação não só um teto para essas famílias, mas o que é fundamental para qualquer pessoa: oportunidade. A oportunidade de ter essa chave, colocar na porta e abrir. É a chave de novas conquistas, de novos direitos”, disse.
Construído em terreno de propriedade da COHAB-SP, o residencial possui uma torre de 19 andares, com 296 unidades habitacionais. O térreo reúne 11 apartamentos, enquanto os demais pavimentos contam com 15 unidades por andar, todas com 46 m². O condomínio dispõe ainda de quatro elevadores, dois salões de festas, uma sala multiuso, duas churrasqueiras, horta comunitária e 100 vagas para motocicletas.
O empreendimento também integra as ações do Programa Todos pelo Centro, iniciativa da Prefeitura de São Paulo que reúne diversas secretarias municipais em estratégias de requalificação da região central, com foco em habitação, mobilidade, segurança, desenvolvimento econômico e inclusão social. No eixo habitacional, o programa busca ampliar a oferta de moradias bem localizadas, aproximando a população de baixa renda da infraestrutura urbana e das oportunidades oferecidas pelo centro expandido da cidade.
“As políticas habitacionais do município estão contribuindo para a transformação urbana de uma forma muito significativa. Não estamos apenas construindo e oferecendo moradia de qualidade, mas sim deixando um legado de ocupação urbana em áreas bem localizadas, com ampla infraestrutura e beneficiando milhares de famílias”, destaca o diretor-presidente da COHAB-SP, Cacá Vianna.
Sonho realizado
A sensação entre as famílias contempladas era de ter realizado um sonho. A ajudante geral Evelyn Ribeiro da Silva, de 36 anos, por exemplo, esperou cerca de quatro anos para conquistar a casa própria e comemora a realização do sonho de ter um imóvel em seu nome. “É uma mistura de ansiedade e felicidade. Quando você pega a chave, parece que o seu sonho se realizou. Você tem uma casa sua, no seu nome, e pode mobiliar do jeito que você quer. Agora eu vou trilhar o meu caminho sozinha.”
Após cinco anos de espera e 12 anos vivendo de aluguel, a promotora de vendas Andressa de Jesus Santos, de 29 anos, vai morar no novo apartamento com o marido e a filha, 9. ela comemorou a conquista da casa própria. “A gente viveu todo o processo, com toda aquela ansiedade de acompanhar desde conseguir o terreno até começar a construir. Depois, quando a gente viu tudo pronto, veio a primeira visita para fazer a vistoria, a emoção de entrar pela primeira vez. E, para mim, ter conseguido foi em pouco tempo, porque eu sei que tem pessoas que esperam há mais de 20 anos na fila. É inexplicável a sensação. É uma sensação única e eu desejo que várias pessoas consigam conquistar isso”, disse.
A diarista Maria do Socorro Gomes Barbosa, de 57 anos, estava na luta pela casa própria havia 18 anos e celebrou a conquista de um imóvel onde não precisará mais pagar aluguel. “É simplesmente uma felicidade, agradecer primeiramente a Deus e depois à Prefeitura que fez esse programa, porque eu tentei muito comprar e não conseguia devido ao salário e hoje estou aqui. É um sonho realizado.”
Edilene Santos, de 40 anos, esperou quatro anos para conquistar a casa própria. Mãe de Esdras Batista, de 20 anos, e de Eisla, de 14, ela viveu de aluguel por nove anos e relembrou a emoção ao receber a notícia de que seria contemplada. “Eu esperei por quatro anos e, confesso que, enquanto não chegou o dia, eu estava meio desacreditada, porque é uma coisa surreal.”
Mãe solo, Edilene conta que o filho é cadeirante e depende de cuidados permanentes. Para ela, a moradia própria representa estabilidade e mais segurança para toda a família. “Pelo Esdras ter necessidades especiais, eu não posso morar em qualquer lugar. Às vezes, podia até arrumar uma casa mais barata, mas, se tem escada, não tem como. Então, ter o meu lugar é uma estabilidade, porque eu ter um filho que depende de mim, que não anda, que não fala, que não se alimenta pela boca, que usa oxigênio para respirar e precisa de todo esse cuidado, de todo esse amparo e suporte, é muito difícil morar de aluguel. Fora o custo. E agora a gente vai ter o que é nosso. Não vamos mais mudar”, comemorou.
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