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Criação: 15/02/26 17:29

Protocolo “Não Se Cale” reforça proteção a mulheres, população negra, LGBTQIA+ e crianças nos blocos de São Paulo

Tendas de acolhimento, QR Code nos banheiros, equipe especializada e ações preventivas marcam a atuação da Prefeitura contra assédio e discriminação durante a folia
Agência SampaNews

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No meio da música alta, do glitter e dos cortejos que atravessam a cidade, uma mensagem se destaca nos braços, ombros e camisetas dos foliões: “Pediu pra parar, parou”, “Etnia não é fantasia”, “Folia sim, racismo não”. As frases estampadas nas tatuagens temporárias distribuídas pela Prefeitura fazem parte do protocolo “Não Se Cale”, que atua em duas frentes durante o Carnaval de Rua: prevenção e acolhimento de vítimas de violação de direitos humanos.

A ação vai além do combate à violência contra a mulher. O atendimento é destinado a qualquer situação de racismo, LGBTfobia, xenofobia ou outra forma de discriminação. A equipe, uniformizada, circula pelos blocos e atua nas tendas fixas, orientando o público e inibindo possíveis agressores pela própria presença ostensiva. Caso alguém se sinta violentado, o acolhimento é feito de forma sigilosa, por assistentes sociais e psicólogos, com registro da ocorrência e orientação sobre os encaminhamentos possíveis. Em situações de maior gravidade, a Guarda Civil Metropolitana (GCM) é acionada para apoio e eventual resgate.

O protocolo também pode ser acessado por QR Code fixado nos banheiros químicos. Se uma mulher, por exemplo, se sentir coagida e se fechar em um sanitário, pode acionar discretamente a equipe virtual de acolhimento, que orienta e, se necessário, mobiliza o atendimento presencial. Os dados consolidados dos atendimentos são divulgados diariamente pela Prefeitura por meio do painel público da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania.

Nas ruas, a adesão tem sido espontânea — inclusive entre os homens. O mecânico Iago Carosi, 30 anos, fez questão de colocar a tatuagem. “É sempre bom. Pediu pra parar, parou. Acho interessante. É triste você ter que colocar no seu próprio corpo que isso tenha que ser explícito, não era para ser necessário. Mas já que se torna necessário, acho importante”, afirmou. Para a biomédica Juliana Freitas, 30 anos, a mensagem precisa ser reforçada: “A mulher sofre muito assédio diariamente. A gente está aqui para curtir e, a partir do momento que a mulher fala não, tem que parar. A gente tem que acabar com essa cultura do homem achar que pode fazer o que quiser com o corpo da mulher.”

Entre os jovens, o protocolo é visto como ferramenta de segurança. A estudante Julia Cópula, 18 anos, conta que é a primeira vez que vê a ação no bloco. “Eu achei muito legal, passa segurança para nós mulheres. A gente pode estar indo na escola, no bloquinho, que vai sofrer algum tipo de assédio. Saber que tem um lugar que a gente pode falar e se proteger é muito bom.” Ao lado dela, amigos também aderiram às tatuagens. “Eu acho muito legal essa atitude deles”, completou. Henrique Trajano Ribeiro, 19 anos, escolheu a frase “Etnia não é fantasia” e destacou: “Não é porque as mulheres estão aqui para se divertir que a gente tem que estar olhando e abusando. Não, é não.”

Para Ana Beatriz Silva Gomes, 18 anos, que já havia participado do Carnaval no ano anterior, a diferença é perceptível. “Está muito mais organizado. O pessoal com as tatuagens também é muito legal porque ajuda muito quem tem esses problemas de assédio.” Ela afirma que se sente mais segura. “Se acontecer alguma coisa, a gente sabe que pode procurar. As pessoas vão ajudar.”

Integrado à estrutura do maior Carnaval do Brasil — que neste ano tem recorde de 627 blocos e expectativa de 16,5 milhões de foliões — o protocolo “Não Se Cale” consolida o compromisso da cidade com uma folia diversa e respeitosa. Em meio à festa que deve movimentar bilhões na economia e gerar milhares de empregos, a mensagem que ecoa nas ruas é simples e direta: Carnaval é espaço de alegria — nunca de violência ou discriminação.

No pré-Carnaval (7 e 8/02) e nos dias 13, 14 e 15/02, até as 8h desta manhã, o protocolo contabilizou mais de 33 mil ações de promoção de direitos humanos e cidadania, 27 mil mensagens de conscientização distribuídas por meio de tatuagens, 6 mil pulseiras de identificação entregues a crianças e 149 atendimentos, acolhimentos e encaminhamentos realizados nos pontos de apoio.


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