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Criação: 18/06/26 17:11

Prefeitura inicia entrega gratuita de sensores de glicose para crianças com diabetes tipo 1

Nova tecnologia beneficiará 1.584 crianças atendidas pela rede municipal e permitirá monitoramento contínuo da glicemia sem as múltiplas picadas diárias nos dedos

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A Prefeitura de São Paulo iniciou nesta quinta-feira (18) a distribuição gratuita de sensores de monitoramento contínuo de glicose para crianças de 2 a 12 anos com diabetes tipo 1 atendidas pelo Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) da rede municipal de saúde. A iniciativa beneficiará 1.584 crianças e representa um avanço no cuidado e na qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias, que passarão a contar com acompanhamento contínuo da glicemia sem a necessidade das sucessivas furadinhas diárias nos dedos.

O prefeito Ricardo Nunes destacou que essa nova política pública busca aliviar a rotina de milhares de famílias que convivem diariamente com o controle rigoroso da doença. “Hoje a gente inaugura mais uma política pública super importante, que são os sensores de glicemia para as crianças com diabetes tipo 1. Esses aparelhos vão substituir algo que é muito complexo para as mamães, que muitos chamam de mães pâncreas”, afirmou Ricardo Nunes.

O prefeito também ressaltou o impacto financeiro da medida. “É muito sério esse tema e muitas famílias não conseguem pagar por isso. Na rede privada, inclusive, muitos planos de saúde sequer cobrem esse tipo de equipamento. A partir de agora é um direito das crianças poderem ter esse sensor e assim melhorar muito a sua qualidade de vida”, disse Ricardo Nunes durante a cerimônia de entrega dos dispositivos, na Unidade Básica de Saúde (UBS) Malta Cardoso, na Zona Oeste da capital. A medida está prevista na Lei nº 18.306.

O sensor custa cerca de R$ 770 por mês para cada paciente. O fornecimento será contínuo e a reposição dos sensores ficará sob responsabilidade das Unidades Básicas de Saúde que acompanha cada paciente.

Menos dor, mais segurança

Entre as famílias beneficiadas está a dona de casa Roseli Alves dos Santos, de 47 anos, mãe de Pedro Felipe Alves dos Santos, de 11 anos. Diagnosticado com diabetes aos quatro anos de idade, Pedro precisava medir a glicemia entre cinco e oito vezes por dia por meio das tradicionais picadas nos dedos.

“Agora a vida vai mudar para melhor. Como ele vai fazer o monitoramento pelo sensor, evita a picada no dedo, que às vezes ele reclamava, sentia dor e chorava”, contou Roseli.

Desempregada, ela afirma que não teria condições de arcar com o custo da tecnologia. “Eu não conseguiria pagar porque é um valor muito alto. Então, para mim, foi tudo de bom. Vai mudar o hábito dele”, disse.

Pedro aprovou a novidade. “Só faz uma cosquinha para colocar, mas não dói. É muito melhor que as picadas. Eu ficava irritado porque doía, então gostei muito do sensor”, afirmou.

A rotina também deve mudar para Ana Laura Ferreira Rocha, de 9 anos. Diagnosticada aos cinco anos, ela precisava realizar entre cinco e seis medições diárias. “Era ruim porque doía e me deixava estressada. Agora vai melhorar, vai ser mais fácil e não doeu para colocar”, disse.

O pai, o motorista Diego Rocha, de 38 anos, destacou que o custo do equipamento era inacessível para a família. “Não conseguiria arcar com o sensor. Já tentei, mas o orçamento não cabe no nosso bolso. Por isso foi muito importante a ajuda da Prefeitura”, afirmou.

Segundo Diego, a filha já precisou ser internada duas vezes em razão da doença. “A primeira vez foi quando descobrimos o diabetes. Ela ficou quase um mês internada. Depois teve outra internação por alteração da glicemia. Agora o monitoramento vai ficar muito mais fácil”, explicou.

Para Henrique Santos de Jesus, pai do pequeno Murilo, de 4 anos, o benefício representa uma mudança profunda na rotina familiar. Murilo foi diagnosticado ainda bebê com glicogenose tipo 1B, doença rara que provoca episódios graves de hipoglicemia.

“No começo, a gente fazia a aferição no dedo dele e ele chorava muito. Esse sensor vai trazer uma outra qualidade de vida para ele e para a nossa família. Ele já teve mais de 20 internações. Para a gente, só o fato de a Prefeitura estar ajudando já significa muito”, afirmou.

Tecnologia para monitoramento contínuo

Todos os pacientes de 2 a 12 anos cadastrados no Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) serão contemplados pela iniciativa.

Os sensores realizam o monitoramento contínuo dos níveis de glicose e permitem acompanhamento mais frequente da condição clínica da criança, ampliando a segurança dos pacientes e de seus responsáveis.

Para crianças de 2 a 9 anos, o sensor será acompanhado de um leitor dedicado, aparelho utilizado para consultar as informações registradas pelo dispositivo.

Já para a faixa de 10 a 12 anos, os dados poderão ser acessados por meio de aplicativo em smartphone, com recursos como visualização em tempo real dos níveis de glicose, alertas e compartilhamento das informações com os responsáveis.

A recomendação técnica é que os sensores sejam substituídos a cada 15 dias. O fornecimento e a reposição serão realizados pelas UBSs responsáveis pelo acompanhamento dos pacientes.

Para garantir a implantação da nova tecnologia, a Secretaria Municipal da Saúde capacitou 511 profissionais das cinco Coordenadorias Regionais de Saúde da cidade.

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