Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social

Exibindo 1 para 1 de 3
Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026 | Horário: 10:26
Compartilhe:

Uma a cada seis pessoas atendidas pela Casa Florescer conquista saída qualificada da rede socioassistencial

Atendimento especializado amplia proteção e acesso a direitos para mulheres trans e travestis

Desde 2016, a Casa Florescer, Centro de Acolhimento Especial (CAE) voltado a mulheres trans e travestis, tem se consolidado como uma política pública de referência na promoção da autonomia, dignidade e reconstrução de trajetórias de vida. Dos 1.684 atendimentos realizados nas unidades I e II, 286 pessoas — cerca de 17% — conquistaram a chamada saída qualificada, alcançando autonomia após o acompanhamento socioassistencial. Outras 137 pessoas (9%) foram inseridas no mercado de trabalho, resultado do acompanhamento individualizado oferecido pelo serviço. 

Pioneira no Brasil, a Casa Florescer integra a rede socioassistencial da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), em parceria com a OSC CROPH (Coordenação Regional das Obras de Promoção Humana). O serviço acolhe até 30 mulheres trans e travestis em situação de vulnerabilidade social, oferecendo moradia provisória, alimentação, acompanhamento psicológico e social, além de articulação com a rede intersetorial de políticas públicas. 

Localizada no bairro do Bom Retiro, na região central da capital, a Casa Florescer conta com uma equipe multidisciplinar composta por assistentes sociais, psicólogo, orientadores socioeducativos, agentes operacionais e equipe de cozinha. O espaço dispõe de dormitórios coletivos, cozinha, refeitório, sala de convivência, lavanderia e quadra poliesportiva, garantindo condições dignas de acolhimento. 

Grande parte das mulheres acolhidas pela Casa Florescer chega ao serviço após trajetórias marcadas por abandono familiar, expulsão escolar, violência e discriminação, fatores que fragilizam vínculos sociais e, em muitos casos, conduzem à vivência nas ruas. Para Patricia Assis (38), psicóloga da Casa Florescer, essas rupturas comprometem dimensões fundamentais do desenvolvimento humano. 

“Elas são impedidas de se desenvolver socialmente, de trabalhar a própria expressão de si no mundo e o processo de individualização; de trabalhar o pertencimento a grupos, algo que faz toda a diferença na vida de qualquer pessoa”, explica. 

Segundo a psicóloga, a exclusão do acesso à saúde compõe um tripé crônico de vulnerabilidades que atravessa a realidade de muitas mulheres trans e travestis. É nesse cenário que a Casa Florescer atua de forma estratégica, promovendo a interrupção desse ciclo de exclusão por meio do Plano Individual de Atendimento (PIA), ferramenta central do serviço, que orienta ações personalizadas, articula a rede de proteção e fortalece projetos de vida possíveis. 

Os resultados acumulados ao longo de quase uma década evidenciam o impacto da metodologia adotada. Desde março de 2016, 95% das pessoas acolhidas aderiram à rede de saúde, 80% regularizaram sua documentação, 70% retornaram à educação formal e 45% realizaram a retificação de nome e gênero em seus documentos. Os indicadores refletem o acesso progressivo a direitos historicamente negados à população trans e travesti. 

A transformação promovida pelo acolhimento também reverbera na prática profissional.  

“O meu empoderamento, da minha mulheridade, também veio a partir dos atendimentos com as meninas”, relata Assis, ao refletir sobre sua experiência no acompanhamento socioassistencial de mulheres trans. 

Atualmente, o perfil das acolhidas é diverso em termos etários e de origem, com predominância de pessoas provenientes das regiões Norte e Nordeste do país, que migram para São Paulo em busca de oportunidades, segurança e qualidade de vida. Nesse contexto, as articulações com empresas e organizações da sociedade civil têm ampliado as possibilidades de qualificação profissional e inserção produtiva, reforçando o papel da Casa Florescer como espaço de reconstrução de trajetórias e promoção da autonomia. 

A Casa Florescer integra uma rede mais ampla de acolhimento especializado mantida pela Prefeitura de São Paulo, que, além do Florescer II, na Zona Norte, inclui também a Casa de Acolhida Casarão Brasil, na Zona Sul. 

Reconhecida internacionalmente por suas políticas de diversidade e inclusão, São Paulo abriga a maior rede de apoio social à população LGBT+ do país e realiza a maior Parada do Orgulho LGBT+ do mundo. Nesse cenário, a Casa Florescer se destaca como um espaço de proteção, cuidado e reconstrução de narrativas.  

Prestes a completar dois anos de acolhimento na Casa Florescer, Jamilly Piton (34) encontra-se na etapa final de sua saída qualificada, aguardando apenas a concretização do acesso a uma moradia para aluguel. Ela destaca o impacto transformador do serviço em sua trajetória, definindo a Casa como um espaço de reconstrução e recomeço. 

“Florescer, para mim, é como nascer de novo. É mais do que uma segunda chance. Depois de tudo, quando você acredita que não há mais opção, que não tem para onde ir, você vai florescendo e se descobre uma nova pessoa a cada dia. Foi isso que aconteceu comigo aqui: eu refloresci”, finaliza Piton. 

collections
Galeria de imagens